Rio, 05 (AE) - O ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, informou hoje que o presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, está determinado a incentivar a recuperação da indústria naval do País. Segundo ele, o presidente quer que todas as áreas de responsabilidade do governo federal usem o máximo de agilidade para liberação de recursos do Fundo de Marinha Mercante (FMM) para o setor. Em 1998, o FMM devolveu R$ 500 milhões ao Ministério da Fazenda, porque não pode dar financiamentos às empresas do setor naval: como boa parte está inadimplente, não tem direito a recorrer a empréstimos do fundo. Ele lembrou que, apesar desta sobra no caixa, a demanda por financiamentos foi de R$ 2 bilhões.
Padilha ressaltou que a não liberação de recursos do FMM
que é gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), não é culpa do governo. Ele lembrou que, normalmente, a paralisação dos processos ocorre por causa da iniciativa privada que não entrega toda a documentação exigida para a concessão de financiamento com recursos do FMM. O ministro disse que o governo vai trabalhar para tirar todos os obstáculos possíveis, mas ressaltou que não poderá tirar a inadimplência. Ele afirmou que as empresas têm de pagar suas dívidas.
O que pode ser revisto, segundo Padilha, são as taxas de juros estabelecidas e os prazos fixados para pagamento e amortização. "Há vários itens que podemos rever, dependendo das circunstâncias", destacou. O ministro anunciou ainda que será criado no Ministério dos Transportes um grupo de trabalho para assessorar o ministro e apresentar propostas para a aceleração do processo. Será ainda constituída uma comissão interministerial para estabelecer uma estratégia para o setor naval.
O presidente da autoridade portuária Docas do Rio de Janeiro, Mauro Campos, disse que coordenará a comissão. Ele afirmou que já convidou o diretor do BNDES, Fernando Perrone, e o secretário estadual de Energia, Indústria Naval e Petróleo, Wagner Victer, para participarem da comissão.

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