Brasília, 17 (AE) - O ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, encerrou há pouco na Comissão de Viação e Transporte da Câmara uma explanação de uma hora e meia, na qual explicou o funcionamento do ministério e dos órgãos vinculados, como o DNER e falou sobre as denúncias de que funcionários do órgão estariam recebendo propina para colocar na frente os processos de empresas que aguardam o pagamento de precatórios. Padilha esclareceu que apenas 3% do orçamento do ministério se refere ao pagamento de sentenças judiciais transitadas em julgado. Ele também lembrou que apenas 69% desses recursos, que somam R$ 198 milhões foram liberados. Padilha destacou que a destinação de recursos para os pagamentos desses processos é decidida pela Procuradoria Geral do DNER, depois encaminhada à área financeira do órgão e finalmente vai para a Secretaria Executiva do ministério dos Transportes que a remete para a Secretaria do Tesouro Nacional.
Os recursos, segundo o ministro, saem carimbados do Ministério da Fazenda e chegam carimbados ao DNER. Padilha também lembrou que não há contingenciamento para pagamentos desse tipo de processo, desde que os recursos estejam disponíveis no Tesouro Nacional.
Padilha explicou também que decidiu afastar o diretor financeiro do DNER, Gilson Moura, e o procurador-geral Pedro Eloy Soares, para evitar constrangimentos durante o processo de investigação sobre as denúncias feitas contra o órgão. Ele relatou também que chamou a diretoria do DNER para pedir explicações sobre as denúncias. Nesse encontro, segundo o ministro, os diretores do órgão afirmaram que tem absoluta competência para fazer tais acordos e que todos são legais, constituem rotina na administração da entidade e são amplamente auditados. O ministro também afirmou que o ex-diretor financeiro do órgão é de fato homem de sua confiança como são todos os diretores de órgãos vinculados ao Ministério dos Transportes. E que até a divulgação das matérias sobre irregularidades do órgão nunca soube nada que desabonasse seus dois funcionários agora demitidos.
Segundo o ministro, a Procuradoria do DNER também explicou que não houve quebra na ordem de pagamento dos precatórios. Da mesma forma, ele afirmou que em relação às denúncias de que há propina e lobistas no órgão ficou claro que o interlocutor estava procurando vender facilidades e valorizar os seus serviços junto a uma pessoa que se dizia interessada em receber rapidamente o valor dos precatórios. Ao final da exposição, Padilha, que é do PMDB, foi aplaudido por boa parte do plenário, inclusive pelo líder do PFL, Inocêncio Oliveira, e os presidentes das comissões de Transporte, Marcelo Teixeira (PMDB-CE), e da Comissão de Fiscalização, Delfim Neto (PFL-SP).
Os líderes do governo na Câmara, Arnaldo Madeira, e no Congresso, Arthur Virgílio,ambos do PSDB, que acompanharam da mesa a explanação do ministro, não aplaudiram. O plenário está ainda lotado com mais de 80 deputados presentes, diretores do DNER e assessores do ministro. Neste momento Eliseu Padilha está respondendo às perguntas dos parlamentares.

mockup