Brasília, 03 (AE) - O ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, demitiu há pouco o diretor financeiro do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER), Gilson Moura, e afastou do cargo o procurador-geral substituto do departamento, Pedro Elói. A medida está relacionada às denúncias de que haveria, no DNER, um esquema de corrupção que cobrava comissão para antecipação do pagamento de precatórios. Segundo assesores do ministro, ainda que não tenha elementos materiais que comprovem a participação de Moura do esquema, Padilha considera que as declarações feitas pelo ex-diretor a um jornal paulista sobre o caso "foram infelizes". Padilha conversou hoje de manhã com o presidente Fernando Henrique Cardoso e, segundo a sua assessoria
o presidente se considerou bem informado com as explicações dadas por Padilha sobre as denúncias contra o DNER.
Assim, ainda segundo a assessoria, o presidente disse que não há mais necessidade de o ministro ir ao Palácio do Planalto para se encontrar com ele hoje à tarde, como estava agendado desde a semana passada. Também segundo a assessoria do ministro, no briefing de hoje à tarde, no Planalto, o presidente deverá manifestar, por intermédio do porta-voz Georges Lamazire ou pelo ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Aloysio Nunes Ferreira, seu total apoio a Padilha.
De acordo com a assessoria da Padilha, o presidente concorda com as providências que estão sendo tomadas no sentido de esclarecer as denúncias. O ministro deve divulgar, ainda hoje à tarde, os nomes de funcionários do DNER em Brasília e Mato Grosso sobre os quais foram encontrados indícios concretos de participação de irregularidades na liberação de recursos para pagamento de decisões judiciais. Esses nomes que, segundo a assessoria, ainda não f oram listados, deverão ser enquadrados em processo adminsitrativo-disciplinar. Padilha também determinou que, daqui para frente, nenhum acordo judicial seja pago sem anuência da Advocacia Geral da União. Os precatórios só poderão ser pagos na ordem de entrada do pedido pela Justiça. O ministro aguarda apenas a indicação de um nome da Advocacia Geral da União para presidir uma comissão de sindicância que dará início a novas e mais amplas investigações sobre o esquema de corrupção denunciado no DNER.

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