Padilha consegue indicar novo diretor do DNER
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terça-feira, 30 de março de 1999
Por Gustavo Paul 
Brasília, 30 (AE) - Quase dois anos depois de ser empossado, o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha (PMDB), vai finalmente assumir o comando do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER). O presidente Fernando Henrique Cardoso assinou um decreto trocando o atual diretor-geral, Maurício Hasenclever Borges, pelo ex-deputado federal do PMDB de Minas Gerais, Genésio Bernardino. Para ter o controle sobre o órgão e os futuros novos diretores, porém, o ministro indicou o atual chefe do distrito do órgão no Rio Grande do Sul, Hélio Mata, para a diretoria-executiva.
Segundo uma autoridade ligada ao Palácio do Planalto, Mata é um funcionário de carreira do DNER e conta com a inteira confiança de Padilha. Na nova diretoria do Dner, a direção do órgão ficará na prática sob responsabilidade da diretoria-executiva. Todas as decisões importantes no Dner, cujo orçamento este ano é de R$ 3 bilhões, deverão passar pelo diretor-executivo.
A escolha de Genésio Bernardino foi feita a pedido da bancada do PMDB da Câmara dos Deputados. Tradicionalmente, o diretor-geral é indicado pelo PMDB mineiro e os demais diretores pela bancada do partido.
A principal função do novo diretor-executivo será preparar o fim da atual estrutura do DNER, que terá boa parte de suas funções repassadas para a futura Agência Nacional dos Transportes (ANT).
A expectativa é que o projeto de lei de criação da ANT esteja concluído em meados de abril, para ser enviado ao Congresso Nacional. Quando a agência for criada, o Dner será incorporado à estrutura do Ministério, pois vai manter algumas atribuições executivas. Ainda caberá ao órgão, por exemplo, executar as obras de conservação nas estradas federais. A ANT terá a função de regular as ferrovias e estradas privatizadas.
A atual diretoria do Dner assumiu o cargo em 1996, antes da posse do ministro Eliseu Padilha. O diretor-geral e diretores foram alvo de várias acusações de irregularidades. Seis sindicâncias foram abertas. Padilha sugeriu a demissão dos diretores, mas foi impedido por pressões do Palácio do Planalto e da bancada do PMDB.
Foram apontadas várias irregularidades no DNER. O órgão, por exemplo, pagou R$ 4 milhões para o tratamento dentário de 300 funcionários à empresa Dent-Clim. O diretor-geral usou um jato particular da empreiteira Mendes Junior e outro diretor viajou em um helicóptero de uma empresa de ônibus que deveria fiscalizar. Houve denúncia da exigência de um intermediário para que a IBM recebesse uma dívida de R$ 12 milhões que possuía com o órgão. Por fim, também foi investigado um contrato de R$ 70 mil mensais para que a Noronha Engenharia fiscalizasse a Ponte Rio-Niterói.


