Brasília, 27 (AE) - O ministro dos Transportes Eliseu Padilha, ameaçou hoje, em pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão, romper o acordo firmado em julho com os líderes do movimento dos caminhoneiros e interromper as negociações, caso ocorra uma nova greve da categoria na próxima semana. O ministro afirmou que o governo está surpreso com os rumores de nova paralisação e de uma outra pauta de reivindicações que estão sendo anunciados em panfletos nas estradas.
A decisão de convocar uma rede nacional foi tomada depois de o presidente da União Nacional dos Caminhoneiros (Unicam), José Araújo Silva, o China, passar a convocar os motoristas a parar os caminhões a partir das 5 horas da próxima segunda-feira. O presidente do Sindicato da União Brasileira dos Caminhoneiro, José Natan Emídio Neto, também disse que está deflagrada nova greve, a partir de hoje.
Segundo o ministro, a convocação está sendo feita de forma "inexplicável e inesperada", por "pessoas descomprometidas com os caminhoneiros" o que é "injustificável". "Há um acordo sendo cumprido entre o governo federal e os representantes da categoria", afirmou o ministro. Duas reuniões já foram feitas no gabinete do ministro. "Muitas reivindicações foram atendidas e outras estão em estudo."
O acordo que levou o fim à greve dos caminhoneiros foi assinado em 29 de julho. No elenco de medidas apontado por Padilha consta o envio ao Congresso de um projeto de lei que aumenta a pontuação máxima para punição dos motoristas estabelecida pelo Código Brasileiro de Trânsito. Também foi citada como uma conquista dos caminhoneiros a mudança nos critérios de pesagem dos veículos nas estradas.
Mais uma vez o ministro sugeriu que o governo poderá usar a força para evitar novos problemas de interrupção das estradas e desabastecimento das grandes cidades. "Todos os meios disponíveis serão utilizados para garantir o prosseguimento das negociações, assegurar o direito de ir e vir e manter o livre trânsito das mercadorias."

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