Padilha afirma que se arrepende de pressão a empresários gaúchos
PUBLICAÇÃO
domingo, 27 de junho de 1999
Por Denise Neumann 
Brasília, 28 (AE) - O ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, disse hoje que estava arrependido apenas da forma como pressionou os empresários gaúchos a votar na reeleição do então candidato do PMDB do governo do Estado, Antônio Britto. Ele reconheceu que usou o nome do presidente Fernando Henrique Cardoso sem permissão, mas, com exceção deste ponto, ele não se manifestou arrependido do que disse. "Se eu tivesse conhecimento de que não estava falando na intimidade de uma entidade de classe, teria modificado a forma de abordar a questão", afirmou, quando foi perguntado se estava arrependido do que disse e de ter usado o nome do presidente.
Em 1998, durante o segundo turno das eleições para governador, Padilha encontrou-se com empresários gaúchos na Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs) e disse que uma derrota de Britto "materializaria" uma agenda "de apenas 26 Estados na federação e não 27".
Para Padilha, a divulgação das fitas foi um ato "clandestino e, a priori, criminoso". Como defesa, ele argumentou que a divulgação foi feita com interesse político. "Quem trouxe as gravações a público tenta esconder, por trás do biombo, a saída da Ford do Rio Grande do Sul", avaliou. Quando foi questionado se ele considerava que o atual governo gaúcho era o responsável pela divulgação das gravações, apenas repetiu que a divulgação tinha por objetivo distrair a atenção pública do episódio Ford.
"É muito ruim quando a gente é convidado para ir à casa de alguém, onde se imagina que vamos ter uma conversa privada para falar com uma ou duas pessoas e vemos essa conversa ser levada ao conhecimento público", disse o ministro. "Eu não posso dar autenticidade plena às fitas, mas alguns tópicos dizem respeito à realidade", ponderou. "No calor da campanha, eu coloquei aquilo que eu pensei que o presidente poderia vir a pensar como sendo manifestação do presidente, e isso não ocorreu", ponderou, repetindo que não possuía autorização de Fernando Henrique para falar em nome dele. Apesar da repercussão do episódio, Padilha disse não ter procurado e nem sido procurado pelo presidente para explicar o que aconteceu.
Padilha disse ter escolhido o novo engenheiro-chefe do distrito do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) em Minas Gerais e que o nome não pertence a nenhum partido e é um técnico. Quanto à possibilidade de o PMDB questionar a escolha e exigir um nome vinculado ao partido, ele disse que a legenda "deve ter presente que, sendo esta uma indicação de um ministro do PMDB, ela atende, automaticamente, às indicações do partido".


