Pacto contra inflação e reindexação une políticos e Fiesp
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domingo, 21 de março de 1999
Por Isabel Dias de Aguiar 
São Paulo, 22 (AE) - Empresários, trabalhadores e parlamentares deverão unir-se na defesa do poder de compra dos salários e no combate à reindexação da economia. A iniciativa dessa nova tentativa de pacto social partiu da Comissão de Economia, Indústria e Comércio da Câmara dos Deputados, cujos integrantes participaram hoje da reunião de diretoria da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
O objetivo da visita dos parlamentares foi, segundo informaram, convocar os diretores da entidade para participar do que o presidente daquela Comissão, Aloizio Mercadante (PT-SP), chamou de projeto nacional pela produção industrial, pela agricultura e pelo emprego.
Mercadante explicou que o Congresso Nacional não está mais disposto a assistir passivamente as ações do Executivo. Nos últimos quatro anos, disse, a população viu o governo aumentar seus endividamento em mais de R$ 60 bilhões, o que representou um crescimento da dívida pública em 624%. "O País viveu nos últimos anos a ditadura da área econômica do governo."
Segundo Mercadante, o Congresso quer agora ter uma participação ativa nas decisões do governo. "Queremos ter a ousadia de criar uma saída que não inclua a recessão."
Para isso, segundo afirmou, os parlamentares vão procurar ouvir a sociedade para propor soluções alternativas e evitar o agravamento do desemprego e a perda do poder aquisitivo dos salários. Mercadante declarou que os trabalhadores encontram-se fragilizados, sem condições de apresentar suas próprias reivindicações.
Ao mesmo tempo, a população não quer a volta da inflação. "Não há política salarial que defenda o poder de compra dos salários diante da inflação."
Audiência - Para alcançar os objetivos a que se propõe, a Comissão de Economia da Câmara vai realizar uma audiência pública no dia 7 de abril, com a participação de representantes da Fiesp, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), além de dirigentes da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e da Força Sindical, quando pretende colher sugestões para evitar a recessão e preservar o poder de compra dos salários.
Mercadante disse há inúmeros exemplos que provam ser possível lutar pela manutenção do valor real da renda do trabalhador sem realimentar a inflação. Citou o exemplo italiano: no período em que país enfrentava inflação acelerada, foi estabelecido um teto para a alta dos preços que, se superado
os salários seriam corrigidos por meio do pagamento de bônus.
Naquela experiência, o bônus acabou não sendo pago uma vez que o governo italiano conseguiu controlar a inflação.
Fiesp - A Fiesp, segundo seu presidente, Horácio Lafer Piva, vai aderir ao projeto dos parlamentares. Disse que os empresários também estão dispostos a enfrentar o desafio de criar uma saída que evite o risco do retorno da reindexação dos salários.
"O projeto dessa comissão parlamentar coincide com a proposta da Fiesp de fazer um pacto pela produção." Piva explicou que as indústrias não estão em condições de oferecer aumento de salários ou mesmo do pagamento de um bônus aos seus empregados, mas pode discutir uma remuneração adicional futura que possa compensar perdas provocadas pela inflação.


