Curitiba, 09 (AE) - Os peritos da Polícia Federal em Curitiba chegaram à conclusão de que os dois pequenos pacotes detonados segunda-feira em Cascavel, no oeste do Paraná, não tinham bombas em seu interior. "Foi constatado que se tratava de correspondência comercial", informou a assessoria de imprensa do órgão. As análises dos peritos foram feitas sobre o que sobrou dos pacotes.
Eles eram enderaçados ao procurador da República Celso Antonio Três, que vem investigando a lavagem de dinheiro do País. A suposição de que poderia não se tratar de correspondência comercial, mas sim de uma bomba, foi levantada porque telefonemas anônimos alertaram Três de que iria receber uma "encomenda suspeita". Com a incerteza, que aumentou ao se descobrir que não existia o endereço do remetente, em São Paulo, o procurador comunicou a PF, que guardou os pacotes em um cofre.
Segundo o procurador, a ação dos policiais federais ao explodir os pacotes é que foi "bombástica". Como as cartas tinha sido enviadas em junho, após seu depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito do Sistema Financeiro, Três afirmou que já tinha até se esquecido do caso. "Fui informado por jornalistas de que tinha explodido uma bomba", disse. "Se tivessem me avisado antes, teria feito um comunicado e explicado do que se tratava." Para a explosão das caixas suspeitas foi interditado praticamente um quarteirão no centro da cidade. "A repercussão foi maior que o fato." O temor da família de Três, que tem dois filhos, já tinha feito com que ele pedisse a remoção para Caxias do Sul (RS). Em abril, o carro do procurador foi atingido por tiros, quando ele chegava em casa à noite. Ele fica em Cascavel apenas até o fim do ano.

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