Curitiba – Na tentativa de coibir os ataques a caixas eletrônicos que estão se tornando cada vez mais frequentes no Paraná, a Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp) anunciou ontem à tarde um "pacotão" de medidas emergenciais.

Entre os itens a serem colocados em prática, estão a criação de uma força-tarefa de emergência com todos os órgãos de segurança, a centralização de todas as investigações sobre este tipo de crime no Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), um reforço na segurança das agências por parte das instituições bancárias, além de estudar alternativas de rastreabilidade dos explosivos que acabam sendo utilizados pelos bandidos.

As medidas foram divulgadas após a realização de uma reunião na Sesp, que contou com a participação de representantes de todos os bancos que atuam no Estado, Polícia Federal, Exército, fabricantes de bombas de emulsão (explosivos), Polícia Militar e Polícia Civil. Outro ponto destacado pela Sesp é que, já a partir dos próximos dias, equipes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e do Cope vão patrulhar diversas regiões em que ocorreram ataques nos últimos meses, em especial na Região Metropolitana de Curitiba (RMC).

A força-tarefa será coordenada pelo Departamento de Inteligência da Sesp. "Existem delegacias do interior que, por muitas vezes, estavam investigando a mesma quadrilha que o Cope e eles não trocavam informações. A partir desta integração poderemos identificar pontos em comum e fazer as coisas andarem mais rapidamente. Já falei que quero todo mundo preso até janeiro", ressaltou o secretário Fernando Francischini.

Conforme o Sindicato dos Vigilantes de Curitiba e Região (Sindivigilantes), até quarta-feira ocorreram 345 ataques a caixas eletrônicos no Estado, sendo 188 explosões, 95 arrombamentos e 62 assaltos ou tentativas de assalto. O número é 28,7% maior do que o total de ataques registrados em todo o ano passado, quando ocorreram 268 ataques, sendo 172 explosões, 58 arrombamentos e 38 assaltos ou tentativas.

"O aumento é brutal em todo o País e estamos tomando as providências. Teremos outras reuniões pela frente, mas não podemos aceitar o que a gente tem assistido aí fora", ressaltou. Sobre a participação de policiais militares em quadrilhas que atacam caixas eletrônicos, Francischini frisou que já determinou uma intensificação da fiscalização interna das polícias Militar e Civil. "É prisão e expulsão", simplificou.

Aos fabricantes de explosivos foi pedido o aumento da rastreabilidade dos explosivos. Conforme o secretário, a ideia é inserir chips nos explosivos ou produtos químicos para que os mesmos possam ser identificados. "Hoje é praticamente impossível rastrear um explosivo que foi utilizado, de qual lote é e, mais importante, quem utilizou. Estamos debatendo estas opções e vamos amadurecer a ideia", completou.

Bancos e consumidores

A Sesp ainda adiantou que foi aberto um canal de comunicação com os bancos. A proposta seria centralizar o monitoramento de câmeras de agências no Paraná, porque a maioria fica em São Paulo. Outro ponto reforçado pelo órgão é a instalação de câmeras externas nas proximidades dos bancos. Em alguns casos, ressaltou o secretário, já existem alguns dispositivos positivos adotados por algumas agências, como sirenes que são acionadas ou fumaça quando os caixas são violados, dificultando a ação dos bandidos.

A principal medida dos bancos em relação à segurança, no entanto, é do Banco do Brasil, que tem esvaziado os caixas eletrônicos às 17 horas em agências da RMC. Neste caso, os policiais também farão a escolta das empresas de transportes de valores, adiantou Francischini.

"Não queremos restringir o acesso da população aos caixas eletrônicos, mas hoje um terminal coloca em risco as vidas das pessoas. Supermercados estão sendo explodidos e outros pontos comerciais estão pedindo para retirar os caixas. Parece uma atitude enérgica pedir para a população tomar cuidado com os caixas eletrônicos, mas os cidadãos têm que redobrar os cuidados. Ficar só assistindo é uma omissão muito grande", reforçou.

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