Curitiba, 31 (AE) - Cerca de 300 professores universitários e representantes de entidades pacifistas de países latino-americanos, reunidos em Curitiba, vão criar amanhã (01) a Cátedra da Paz, proposta da Unesco, para discutir temas relacionados à paz. "Precisamos encarar o tema da paz com uma visão mais ampla, não o restringindo à falta de guerra", disse o secretário executivo da Associação de Universidades Grupo Montevidéu, o uruguaio Jorge Brovetto.
"A distribuição equitativa da riqueza e o fim da discriminação, pobreza, desemprego e marginalidade têm a ver com a paz", afirmou. A proposta é de que, através dessa cadeira, as universidades unam-se para criar uma cultura de paz. "As universidades precisam formar pessoas que sejam formadoras de outros formadores", argumentou.
De acordo com Brovetto, as 13 universidades públicas que fazem parte do Grupo Montevidéu vão trocar experiências e incentivar a discussão sobre direitos humanos. "Quando a universidade pública assume essa responsabilidade, quando há disposição dos governos, é possível lançar uma onda, que começa na América Latina, contra a exclusão social."
Uma das linhas básicas a nortear as discussões é a questão da desigualdade social, diversidade cultural e promoção da democracia. Outra vertente discutirá os direitos humanos. Também será privilegiada a discussão sobre ciência, tecnologia, desenvolvimento sustentável e meio ambiente. Por fim, pretende-se discutir a educação de valores e a atitude diante da cultura da paz.
Nobel - O Prêmio Nobel da Paz de 1980, o argentino Adolfo Perez Esquivel, que também participa do encontro, acredita ser a cultura da paz é uma das maiores contribuições da América Latina ao mundo. "Falta construir um pensamento próprio na América Latina, que é a luta contra a exclusão social e pela construção da democracia", disse. "A cultura da paz é um processo revolucionário, de mudança de cultura, de mudança de mentalidade." Segundo ele, a linguagem própria e o clima de paz podem nascer na universidade e se estender para a população.
O armamento de governos e da população está entre as críticas de Esquivel, Brovetto e do cardeal D.Paulo Evaristo Arns. "É preocupante que os países da América Latina e Caribe sejam os que mais compraram armas nos últimos anos", lamentou Esquivel. "Faltam recursos para a moradia, saúde, educação e desenvolvimento dos povos, mas se gasta em armas."
Esquivel propõe uma mudança na mentalidade das instituições militares no uso de armas. "As instituições têm que funcionar corretamente", disse. "A polícia precisa ser preventiva e não adotar mecanismo de repressão, pois o resultado disso nós já conhecemos." Para ele, não há razão para que os civis utilizem armas.

mockup