Pacientes têm imagem mental distorcida
A imagem mental que os anoréxicos têm de si mesmos é sempre de uma pessoa ''gorda'' . Por isso, quando se olham no espelho a imagem é distorcida, não enxergam a própria magreza, mas a imagem de alguém acima do peso. Tal comportamento, segundo a psicóloga Fátima Conte, se dá porque a doença realmente alterou no cérebro a percepção do próprio corpo.
A percepção da fome também é distorcida, segundo a psicóloga. São pessoas que ''calaram'' tanto a fome, que dores no estômago, dores de cabeça e mal-estar não são associados com fome. ''A pessoa bloqueou tanto os sinais de fome, que está fraco, andando devagar, mas não associa isso à falta de alimentação'', explica.
Quando os pais começam a ver que o filho está muito magro e chamam a atenção para o fato, o adolescente não escuta, fica irritado, e acha que a família está implicando com ele. ''A pessoa doente enxerga de maneira diferente das outras pessoas, por isso acha que não se justifica a pressão para comer. Para ela, é um 'complô', e que todos os outros é que estão 'loucos'', explica a psicóloga.
Se os pais tentam pressionar para que o filho coma mais e se alimente melhor, surgem os embates, e as recusas em comer. Mas o comportamento mais comum do anoréxico é, a partir da pressão, passar a fingir que come. ''Ele coloca pouca comida no prato, fica mexendo, finge que mastiga, e em um momento de distração joga a comida por debaixo do prato ou para dentro da bolsa, por exemplo''.
Marcondes explica que a doença pode se tornar crônica ou levar ao óbito. Para a cura, o tratamento normalmente é a longo prazo, com um trabalho conjunto de vários profissionais, médico, nutricionista, psicólogo e psiquiatra, além da ajuda familiar. ''Como são pessoas com histórico de muita ansiedade, instabilidade e que não lidam bem com a pressão social é preciso um tratamento em todas as frentes'', ressalta a psicóloga.
A parte mais difícil do tratamento, segundo Fátima, é que a maioria dos pacientes não se dão conta que estão doentes. ''É preciso que eles confiem em alguém, e acreditem nessa pessoa para dar a mão e colaborar com o tratamento''. O processo é lento, e o primeiro passo é voltar a comer e a ter saúde, para depois aceitar o peso normal e entender porque a doença se manifestou.(C.P.)





