Londrina - O Complexo Médico Penal de Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, conta hoje com 280 servidores. A maior parte do corpo clínico. Agentes penitenciários que vigiam os detentos em tratamento médico também atuam na unidade.
A maioria dos pacientes fica diariamente em observação e recebe tratamento clínico e psiquiátrico, quando é o caso. ''Oferecemos tratamentos ambulatoriais e clínicos para todo o sistema penal do Estado. Quem é diagnosticado com insanidade tem a pena revertida para medida de segurança'', explica o diretor-geral do Complexo Médico Penal, Roberto da Cunha Saraiva.
Os tratamentos duram em média um ano até a reinserção do interno na sociedade. ''Tentamos eliminar a periculosidade (dos presos) com tratamentos psiquiátrico e psicológico e terapias ocupacionais. Um tratamento a fim de curá-lo para torná-lo apto a conviver em sociedade.'', acrescenta.
O complexo tem uma ala que evidencia outro sério problema enfrentado pelos doentes mentais: o abandono familiar. Trinta e cinco pacientes que estão em tratamento há mais de cinco anos foram rejeitados por suas famílias e não têm mais lar.
Investimento
A Secretaria Estadual de Justiça não tem projeto para ampliar o número de vagas no sistema médico penal nem estuda regionalizar o atendimento. A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa do órgão. O governo, no entanto, informou que pretende aplicar R$ 250 mil, recursos oriundos do Ministério da Saúde, em melhorias no Complexo Médico Penal do Paraná. O projeto inclui reforma dos alojamentos, enfermarias e na ala de gestantes, que passaria de seis para 28 leitos.
Sem tratamento
Perto de 40% dos brasileiros sofrem com algum tipo de transtorno mental. A maioria, no entanto, tem a doença controlada com auxílio de tratamento. Casos graves de compulsividade e violência atingem 6% da população.
De acordo com o psiquiatra Marcos Liboni, de Londrina, o tratamento de doentes mentais no sistema público é dificultado pela falta de diagnóstico preciso e de medicamentos. ''Manter um doente mental sem medicamento seria como deixar um diabético sem insulina'', adverte.
Com experiência em psiquiatria forense, Liboni ressalta que a situação do preso com doença mental é problemática em todo o País. As instituições especializadas, segundo ele, não contam com espaço físico adequado e ainda faltam profissionais para tratar e ajudar na reinserção dos internos no meio social.(D.M.)

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