Curitiba – Dezessete dos 21 pacientes cujas mortes teriam sido antecipadas pela equipe da UTI Geral do Hospital Evangélico, em Curitiba, receberam medicação sem indicação terapêutica. A informação consta da denúncia apresentada pelo Ministério Público do Paraná (MPPR) à Justiça.
A documentação encaminhada à 2ª Vara do Tribunal do Júri foi anexada à denúncia contra oito profissionais da instituição, incluindo a médica Virgínia Helena Soares de Souza, pela morte de sete pacientes entre maio de 2011 e janeiro de 2013.
A denúncia da Promotoria de Justiça de Proteção à Saúde Pública de Curitiba inclui detalhes de cada caso suspeito: diagnóstico, motivo da internação na UTI, necessidade de sedação contínua, prescrição de medicamentos e data e horário da morte. Em todos os casos foi verificada a aplicação do medicamento Pavulon.
O médico auditor do Departamento Nacional de Auditorias do Sistema Único de Saúde (SUS) do Ministério da Saúde, Mário Lobato Costa, responsável pela sindicância para apurar supostas irregularidades na UTI Geral do Evangélico, explicou que está levantando informações sobre todas as equipes que fizeram plantões no setor no ano passado. Prontuários médicos e protocolos clínicos também estão sendo analisados.
"É um processo longo. Estamos com uma equipe analisando todos os prontuários médicos da UTI Geral desde 2006, data em que a médica Virgínia assumiu a chefia do setor. A partir destes dados a investigação do MPPR vai analisar depoimentos e gravações telefônicas para comprovar eventuais irregularidades", declarou.
Outros dois auditores estão acompanhando a transição ocorrida no Hospital Evangélico na semana passada. Uma nova equipe com 15 médicos e 41 profissionais de enfermagem foi contratada para administrar a nova UTI Geral.

Vítimas
Os novos casos sob investigação são de 11 homens e 10 mulheres, que morreram de setembro de 2009 a janeiro de 2013. A paciente mais nova é uma jovem de 16 anos, vítima de queimadura. O mais velho é um homem de 85 anos, que sofria de insuficiência respiratória aguda.
O juiz Daniel Ribeiro Surdi Avelar, da 2.ª Vara do Tribunal do Júri de Curitiba, está analisando a denúncia contra os oito suspeitos pelos crimes de homicídio duplamente qualificado e formação de quadrilha. Ele deve decidir se acata ou não o pedido do MPPR até segunda-feira.

Validade
Com a denúncia feita pelo MPPR, a defesa da médica Virgínia Soares de Souza terá que protocolar novo pedido de habeas corpus. O pedido de liberdade que havia sido feito no Tribunal de Justiça, no dia 27 de fevereiro, perdeu a validade e agora terá que ser postulado na Vara do Júri.
Segundo a assessoria do advogado Elias Mattar Assad, ele vai aguardar a decisão do juiz da 2ª Vara do Tribunal do Júri para decidir se entra com nova solicitação. Virgínia está presa desde 19 de fevereiro, em Curitiba.

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