Londrina - Na data em que é comemorado o Dia Nacional pelo Uso Racional de Medicamentos, uma pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa e Pós-graduação do Mercado Farmacêutico (ICTQ), divulgada ontem, mostrou que 76,4% da população brasileira declaram fazer uso de automedicação. Um dado que não surpreende, uma vez que já foi mostrado em estudos anteriores. Porém, 32% dos entrevistados que se automedicam afirmaram aumentar a dose por conta própria para potencializar efeitos de forma mais rápida. Em Curitiba, esse número salta para 65%. Foram entrevistadas 1.480 pessoas entre 25 de março e 3 de abril deste ano, em 12 capitais brasileiras.
Para o membro do Conselho Federal de Farmácia (CFF) e integrante do Centro Brasileiro de Informações sobre Medicamentos (Cebrim), Rogério Hoefler, o País possui algumas características que favorecem a prática da automedicação, como a falta de informação e a dificuldade de acesso aos médicos. "Vivemos a cultura da medicalização. A maioria das pessoas acredita que para todo problema ou dor exista uma pílula mágica, quando muitas vezes o que resolveria é uma medida não medicamentosa", ressalta.
E os números comprovam a teoria de Hoefler, uma vez que 38,6% dos que praticam o autoconsumo de medicamentos declararam na pesquisa nunca ter tido acesso a este tipo de informação e ainda que não estão conscientes sobre os riscos a que estão sujeitos por conta do uso indiscriminado de medicamentos.
Hoefler lembra que, além de campanhas de educação e conscientização, são importantes medidas de regulação a fim de reduzir o consumo impróprio. "As farmácias e drogarias ainda são vistas como um mero estabelecimento comercial e não de saúde", criticou. De acordo com a pesquisa, o controle da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sob determinados medicamentos é mais eficiente para evitar o autoconsumo do que campanhas de conscientização. Segundo o estudo, nos últimos dois anos houve uma redução de aproximadamente 60% no autoconsumo de medicamentos controlados pela Anvisa. Em 2014, apenas 8,2% declararam consumir medicamentos tarja preta ou vermelha (aqueles com retenção de receita) sem consultar o médico. Em 2012, este índice era de 20%. No entanto, 18,4% dos entrevistados declararam consumir antibióticos nos últimos 12 meses sem consultar o médico.
Arnaldo Zubioli, presidente do Conselho Regional de Farmácia do Paraná, destaca que as pessoas têm que ter consciência dos riscos da automedicação e da superdosagem de remédios para a própria saúde. "Uma dosagem mais alta vai sobrecarregar o organismo, que precisa de um tempo para absorção, metabolização, distribuição e excreção da substância. A potência do remédio não está relacionada com o aumento da dose", advertiu.

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