Pacientes podem perder desconto em remédios
Morador da Vila Casoni, região central de Londrina, o aposentado João Rodrigues da Silva compra há três anos os medicamentos para o coração na unidade da Farmácia Popular para o tratamento contínuo, após cirurgia de ponte de safena. Ele lembrou que precisa tomar três comprimidos por dia, mas não teria condições de pagar pela caixa do remédio, que custa R$ 40. "Com o desconto do governo, a mesma caixa sai por R$ 9", afirmou.
O benefício pode estar com os dias contados devido à proposta orçamentária para 2016 encaminhada ao Congresso que prevê repasse zero para o programa e corte estimado de R$ 578 milhões. Criado em 2006, o programa federal permite a compra em farmácias credenciadas pelo governo de medicamentos para colesterol, mal de Parkinson, glaucoma, entre outros com descontos de até 90%, além da distribuição gratuita de remédios para diabetes, hipertensão e asma.
Além de prejudicar o tratamento contínuo de pacientes que não possuem recursos financeiros, o presidente do Sindicato das Farmácias de Londrina (Sinfarlon), Jefferson Proença Testa, avaliou que se o corte for confirmado pelo governo, a medida também vai prejudicar farmácias. "A gratuidade e descontos são destinados aos consumidores, mas existe um custo para distribuição. O repasse é importante para as farmácias conveniadas para cobrir gastos, já que o estabelecimento paga pela manutenção e pelos funcionários do local", explicou.
Em nota à imprensa, o Ministério da Saúde informou que não há nenhuma proposta do governo federal no sentido de acabar com o Programa Farmácia Popular.
A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) também afirmou que o governo não vai acabar com o programa. "A nova proposta do Orçamento para 2016 corta apenas a parte do programa que garante remédios mais baratos."
O programa conta com uma rede de mais de 34,5 mil estabelecimentos e atende 4.393 municípios
Serão mantidos os 14 medicamentos para tratamento de hipertensão, diabetes e asma, cuja oferta é gratuita ao cidadão
O Programa Folha Cidadania é o desafio social da Folha de Londrina no combate ao analfabetismo funcional





