Pacientes participam de mutirão da Saúde em Londrina
Espera por consulta com especialista para tratamento de doenças no fígado chega a 5 anos
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sábado, 11 de maio de 2019
Espera por consulta com especialista para tratamento de doenças no fígado chega a 5 anos
Viviani Costa - Grupo Folha 

Dezenas de pacientes procuraram a Policlínica Municipal na manhã deste sábado (11) para participar do mutirão de consultas realizado pela Secretaria de Saúde de Londrina em parceria com o Hospital Santa Rita, de Maringá. A ação é voltada apenas para pessoas em tratamento ou diagnosticadas com doenças no fígado.
Em razão da falta de especialistas em Londrina, a fila de espera para consulta com um hepatologista chega a até 5 anos, conforme o secretário municipal de Saúde, Felippe Machado. A cidade conta com apenas um profissional no Ambulatório de Hepatologia do Cismepar (Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema).
Para o mutirão, os pacientes foram orientados a levar exames já realizados. Novos procedimentos poderão ser solicitados pela equipe. Os mais complexos serão realizados em Maringá. “Pacientes com doenças graves ou crônicas que podem desencadear a necessidade de um transplante serão encaminhados para lá. A Prefeitura de Londrina vai se responsabilizar pelo transporte”, explicou o secretário.
A parceria, conforme Machado, não tem custos para o município. “Antes eles ficavam até 5 anos na fila de espera em Londrina e eram levados para Curitiba para o transplante. Agora eles poderão fazer os procedimentos com mais rapidez em Maringá. É até uma economia”, argumentou. No Paraná, apenas hospitais de Curitiba, Cascavel e agora Maringá estão credenciados junto ao Ministério da Saúde para a realização de transplantes de fígado.
O Hospital Santa Rita é filantrópico e foi credenciado para a realização de transplantes dessa especialidade em novembro do ano passado. O médico responsável técnico pela equipe de transplantes de fígado do hospital, André Oliveira, ressaltou que a instituição firmou a parceria diante da dificuldade de atendimento na região.
Ao todo, seis médicos, enfermeiros e profissionais de apoio atuam na ação deste sábado. Entre as doenças mais comuns, segundo ele, está a esteatose hepática conhecida como gordura no fígado. Se não tratada, a doença pode evoluir para uma cirrose.
“Em 2017, 15% dos transplantes de fígado realizados nos Estados Unidos foram em razão de gordura no fígado. A população está engordando e é uma doença importante. Se detectado no início, o tratamento é fácil e há a completa reversão. Toda doença hepática crônica que você não interrompe o processo causal pode virar cirrose. A cirrose descompensada é a principal indicação de transplante de fígado, além de tumores”, alertou.
O aposentado Abdias Reis, 77, deixou o consultório aliviado com a resposta dos profissionais. “Há 2 anos tive o diagnóstico de gordura no fígado. Eu não fumo e não bebo, mas tive que controlar a alimentação. Hoje deu tudo certo, graças a Deus. Tenho só que manter os cuidados.”
A balconista Maria Aparecida Sena, 52, passou 2 anos em busca de diagnóstico, mas ainda não havia iniciado o tratamento. “Tenho uma doença crônica no fígado. Não sei bem o que é. Estava na fila esperando uma consulta para saber o que fazer.”
O mutirão é realizado na Policlínica Municipal, na rua Benjamin Constant, centro de Londrina. A expectativa é atender 240 pacientes neste sábado. Na próxima semana, dia 18, outros 240 serão chamados para avaliação.


