Dois idosos morreram por falta de vagas de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em Toledo, no Oeste, no último domingo. Os casos, que expõem a fragilidade do Sistema Único de Saúde (SUS) no Estado, não são pontuais. Somente neste ano, mais de dez pessoas morreram na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Toledo por falta de leitos de alta complexidade. Em praticamente todas as 22 Regionais de Saúde do Paraná, há deficit de vagas de UTI. Enquanto isso, pacientes de alta gravidade são mantidos em ambulatórios, de forma improvisada.
A secretária de Saúde de Toledo, Denise Campos, expôs a grave situação enfrentada pelos pacientes. Segundo ela, o município oferece a assistência compatível com o grau de complexidade de uma UPA e por vezes até disponibiliza recursos como respiradores até que o paciente seja encaminhado à UTI, de responsabilidade do Estado. "Os pacientes estão morrendo e o Estado não tem conseguido atender a demanda da UTI, mesmo com o acionamento da Central de Leitos", denuncia.
Toledo é sede da 20ª Regional de Saúde. Na unidade de referência, o Hospital Bom Jesus, os 20 leitos disponíveis de UTI permanecem com lotação máxima a maior parte do tempo. Como não há UTI Pediátrica, as crianças têm que dividir os leitos com os adultos. O Hospital Regional, que teve o prédio concluído recentemente, está parado por falta de recursos para a compra de aparelhos. Segundo Denise, mais dez vagas estão previstas para a unidade. "Não vemos um empenho concreto para uma solução do problema", lamentou.
Em Londrina, familiares de pacientes têm procurado a Justiça para ter acesso a uma vaga de UTI. O Hospital Universitário (HU) disponibiliza 35 leitos, sendo 20 deles para adultos, divididos em duas unidades. No início da semana, 11 pacientes permaneciam sedados no pronto-socorro à espera de vagas de alta complexidade. Segundo a superintendente do HU, Elizabeth Ursi, uma terceira unidade de UTI, está fechada há um ano por conta da necessidade de reforma, que não tem prazo para começar. Além da reforma, o funcionamento da terceira unidade, que tem previsão de ter mais dez vagas, dependerá da contratação de médicos e enfermeiros.
Na última sexta-feira, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, cumpriu agenda em Toledo e Londrina. Em entrevista coletiva na ocasião, ele afirmou que a questão das UTIs, assim como outros setores do SUS, depende do orçamento. "Temos vários pedidos de credenciamento de novos leitos de UTI que tramitam no Ministério. Alguns estão prontos, aguardando apenas a disponibilidade financeira", disse. Ele prometeu buscar uma solução visando a melhor gestão dos recursos. "Vamos buscar da forma mais rápida possível solucionar questões de mau gasto do dinheiro público. O trabalho será para estabelecer prioridades e fazer uma melhor articulação com Estados e municípios."

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