Uma vez, o empresário José Antônio Gomes Martins, 42 anos, precisou ligar para seu médico de dentro da delegacia para comprovar que as seringas que carregava não eram drogas, e sim insulina. Essa foi a mais extrema de uma série de situações constrangedoras pela qual Martins passou em decorrência do diabetes. Ele desenvolveu a doença há 20 anos após danificar o pâncreas em um acidente de carro. ''Quando eu ia a um restaurante, por exemplo, me fechava no banheiro para poder aplicar a injeção de insulina. Com o tempo, fui deixando de frequentar esses lugares, por vergonha'', confessa.
Depois de passar pela seringa e pela caneta de injeção de insulina sem um resultado satisfatório, o empresário passou a utilizar a bomba por indicação do próprio médico. ''Hoje, eu participo de campeonatos de natação, jogo bola três vezes por semana, levo uma vida normal. Além disso, engordei 4,5 quilos em três meses e cheguei ao meu peso ideal'', revela. Ele lembra que uma pessoa com o nível de glicose desregulado perde peso rápido.
Totalmente habituado, Martins admite que hoje não consegue ficar sem o aparelho, embora tenha tido alguma resistência no começo. ''Minha filha falou para eu cuidar da bomba como se fosse meu bichinho virtual. Antes de comer, eu tenho que dar comida para ele'', brinca, referindo-se ao cálculo da quantidade de carboidratos que é preciso fazer antes das refeições.
Cálculo este que a pequena Giovana Garlo, 8 anos, tira de letra. Diabética desde os 5 anos, ela começou usando a caneta, com uma dose diária de insulina basal. Com o passar do tempo, passou a ministrar - sozinha, como ela faz questão de ressaltar - 5 a 6 doses por dia. Mas mesmo assim os níveis de glicose continuavam altos. Foi quando ela começou a usar a bomba.
Segundo a mãe da garota, Evani dos Santos, através do Paradigm Real-Time foi mais fácil identificar e controlar os picos de hiper e hipoglicemia. ''Quando ela começou a usar a bomba que eu fui perceber o quanto a glicose dela ficava alta na madrugada. Eu achava que seria baixa, mas era alta porque ela está em fase de crescimento'', revela.
Sem se incomodar de estar o tempo todo com esse aparelho junto ao corpo, a garota diz levar uma vida completamente normal. ''É como se eu não fosse diabética. Hoje tenho muito mais liberdade de comer, principalmente nas festas de aniversário. É muito melhor'', admite Giovana. (A.I.)

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