Londrina - A Farmácia Municipal, responsável por atender a população que recebe gratuitamente medicamentos controlados de programas específicos e que não são entregues nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), está enfrentando desabastecimento de medicamentos. O local deveria disponibilizar à população vários tipos de medicamentos fornecidos somente mediante receita médica, mas 81 deles, voltados para pessoas que necessitam do uso contínuo deles, estão em falta, desde antibióticos, anti-inflamatórios, antidepressivos e psicotrópicos de uso controlado.
São medicamentos como a Prometazina, utilizado como sedativo-hipnótico por pessoas que têm surtos de violência, como o aposentado Élio de Oliveira, de 66 anos. Ele estava na Farmácia Municipal ontem e foi informado que não havia o medicamento e os servidores não souberam precisar quando chegaria. "É um remédio para os nervos e para a cabeça. Sem ele eu fico violento. Agora eu preciso ver com a minha irmã como eu devo fazer, pois eu preciso do medicamento e não tenho condições de comprar", afirmou. Ele informou que cada cartela custa cerca de R$ 20.
A cabeleireira Claudina Celeste, de 76 anos, relatou que o medicamento que utiliza, o Selozoc, que é indicado para redução de pressão arterial, também está em falta. Ela mandou manipular o medicamento para não ficar sem. "Eu gastei R$ 13 para fazer esse medicamento manipulado", afirmou a aposentada, que disse que esse dinheiro faz falta no fim do mês.
Para quem depende de antidepressivos como o pedreiro Paulo Sérgio da Silva, de 42 anos, a situação é bastante ruim. Ele usa uma cartela por mês, que se fosse adquirida na farmácia convencional sairia a R$ 60 cada uma. "É um gasto alto para mim. Eu me sinto mal quando não tomo esse medicamento", relatou.
A doméstica Zenilda Fogaça, de 45 anos, precisa de remédios para a coluna. "Preciso de anti-inflamatórios porque as minhas costas estão doendo desde o Ano-Novo. Fui na Assistência Social da Vila da Saúde, conforme me orientaram na Unidade Básica de Saúde e eles me encaminharam aqui para a Farmácia Municipal, mas aqui eles pediram para voltar para a UBS e procurar pelo medicamento", destacou.
Muita gente que conseguiu o medicamento já sentiu as dificuldades de procurar por medicamentos que estavam em falta na Farmácia Municipal.
O bancário Donizetti Martins Lopes, de 49 anos, foi ontem buscar um medicamento para a mãe, que sofre com Mal de Parkinson, e conseguiu obter um frasco, mas relatou que no ano passado ficou sem o medicamento de abril a agosto. "Foram cinco meses sem o medicamento. Cada frasco custa R$ 120 e isso pesa no bolso", apontou. Ele criticou o atendimento da Farmácia Municipal e pediu melhorias no sistema de aquisições. "Eles não podem deixar esse medicamento faltar", cobrou.
O secretário municipal de Saúde, Mohamad El Kadri, explicou que o planejamento da secretaria no ano passado falhou ao projetar um consumo menor do que de fato aconteceu. Outro problema foram as licitações para a aquisição de novos lotes que não tiveram fornecedores interessados. Depois, a tentativa de compra direta falhou porque empresas entraram em férias coletivas. "Nós só poderemos normalizar a aquisição desses medicamentos quando as empresas voltarem de férias", destacou.
El Kadri recomendou aos pacientes que não conseguiram adquirir medicamentos que procurem a assistência social da Vila da Saúde, que pode ajudá-los de alguma forma.

mockup