Londrina - Pacientes portadores de esclerose múltipla estão sem dois medicamentos oferecidos pelo Estado através das regionais de saúde. ''Há mais de um mês as pessoas sentem a falta do Interferon, que é o remédio que precisa ser aplicado dia sim, dia não, para evitar os surtos típicos da doença'', afirma a presidente da Associação Londrinese dos Portadores de Esclerose Múltipla (Alpem), Célia Batista Bernal Martins.
Ela explica que o medicamento é oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), e que os pacientes o retiravam na farmácia da 17 Regional de Saúde, em Londrina. ''Se a pessoa ficar muito tempo sem usar pode ter sequelas, como perda de movimentos, da visão, da fala''. Os custos de cada dose são altos. ''Essa doença já deixa as pessoas fragilizadas, ficar sem o remédio e não ter como comprar só piora a situação delas''.
De acordo com a diretora interina da 17 Regional de Saúde, Sonia Petris, além do Interferon, o medicamento Betaferon 9600 também está em falta no estoque da farmácia do SUS. ''São dois remédios que faltam há mais de um mês e que o Estado já está licitando nova aquisição''. Segundo afirma, o tratamento mensal com estes medicamentos pode chegar a R$ 5 mil por paciente.
Parte do valor pago pelos remédio é realizado com repasses do governo federal, mas há também a contrapartida do Estado, segundo explica Sonia. ''Sabemos que esses remédios são bastante importantes para quem tem a doença e por isso tentamos buscar em outras regionais para suprir a demanda, mas está em falta em todo o Estado''.
A esclerose múltipla é uma doença neurológica degenerativa crônica, que pode causar dificuldades motoras, de fala e visão, além de perda de memória. ''Além da falta do medicamento, estamos sofrendo com a falta de transporte para a fisioterapia, que antes era feito pela CMTU'', ressalta Célia. Ela afirma que o serviço foi cortado.
De acordo com o coordenador de Transportes da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Wilson de Jesus, o serviço não deixou de ser prestado. ''Apenas foram revistas as condições de cada paciente. Quem tem condições de usar o ônibus de linha com adaptação, deverá utilizá-lo gratuitamente''. Para decidir quem deve usar o serviço especial, Jesus explica que é realizada uma visita social, com funcionários da Companhia e fisioterapeutas da Secretaria Municipal de Saúde.

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