Londrina - Dá para fazer muita coisa em sete horas. Por exemplo, assistir pelo menos três jogos de futebol na televisão, com direito a intervalo. Muita gente trabalha sete horas por dia também. Outra coisa que é possível realizar durante sete horas é aguardar atendimento médico em Londrina.
Ontem na Unidade 24 horas do Jardim Leonor (Zona Oeste) e no Pronto-Atendimento Municipal (PAM) pacientes chegaram a esperar esse tempo para serem atendidos. No Leonor um homem chegou a discutir com uma atendente por conta da demora.
Acompanhada das duas filhas de 10 e 11 anos, Eliana da Silva não chegou a esperar tanto. Ela estava na Unidade de Saúde do Leonor desde as 10 horas da manhã ontem. O relógio já se aproximava das 17 horas quando ela conversou com a reportagem. ''Eu estou aqui sem almoço. As crianças já estão quase desmaiando'', disse. A família estava sofrendo com alergia e tinha passado no posto de saúde próximo ao (Jardim) Ana Terra (Zona Norte), onde vivem, antes de ir até o Leonor. ''Fui encaminhada para cá'', contou.
''Tem que avisar o povo que quando for atrás de médico precisa trazer marmita, porque senão passa fome. Sorte que eu trouxe um pãozinho'', afirmou Helena Rodrigues. Ela estava desde as 11 horas no Leonor, sem receber atendimento. ''Estou com infecção urinária e uma dor muito forte na cabeça. Eu fui no posto, mas lá você marca consulta para daqui um mês. Até lá a pessoa já morre'', lamentou. No fim da tarde, cerca de 30 pessoas ocupavam a sala de espera da unidade.
No PAM a cena não era muito diferente. Com uma dor forte no estômago, o serralheiro Roberto Carlos da Silva estava desde as 10 horas no local e conversou com a reportagem no fim da tarde. A metalúrgica Angélica Gianelli chegou pouco depois de Silva, mas amargava a mesma situação. ''Estou com vômito, diarreia e dor de cabeça. Já cheguei a dormir aqui no banco'', confessou, com olhar cansado.
A maioria dos pacientes que conversaram com a reportagem no PAM e Leonor tinha passado antes nas unidades básicas de seus bairros. A reportagem buscou contato com o secretário de saúde Edson de Souza no celular, várias vezes, mas ele não atendeu as ligações.

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