Pacientes buscam tratamento na internet
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terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Davi Baldussi<br>Reportagem Local 
Londrina - É difícil saber quantos endereços virtuais oferecem informações sobre doenças e tratamentos no Brasil ou no mundo, mas algo é certo: é cada vez mais comum pessoas pesquisarem sobre assuntos médicos na internet. No site Medico.com., por exemplo, são comuns perguntas como: ''O que pode ser um caroço do lado do pescoço? Sinto que a dor vem da cervical, e desce pelo pescoço se estende na clavícula, mas ultimamente tenho sentido que parece querer fechar minha garganta, ou que tem alguém me sufocando, pode ser um câncer?''.
O casal Ivan e Gislaine Teodoro da Silva é exemplo dessa prática. ''A Gislaine ficou doente e o médico deu diagnóstico de Linfoma de Hodgkin (tipo de câncer que surge nos gânglios do sistema linfático). Eu pesquisei para saber o que era. Gerou uma preocupação pelas coisas que li, mas achei bom porque acabou esclarecendo mais'', afirmou Ivan Silva. Ele não lembra em quais sites pesquisou. ''Fui no Google, digitei Linfoma de Hodgkin e fui abrindo os artigos'', conta o metalúrgico.
A pedagoga Debora Costa também pesquisa sobre informações médicas com frequência. ''Sempre que alguém da minha família recebe uma receita médica ou diagnóstico eu pesquiso para ver qual o efeito do remédio. Comecei a pesquisar quando meu tio estava com meningite. O médico falava, mas a gente não entendia. Resolvi buscar em sites. Achei a linguagem na internet mais fácil. Normalmente uso o www.abcdasaude.com.br'', afirmou.
O ABC da Saude é um portal lançado em 2001, em Porto Alegre (RS). Segundo o próprio site, o portal tem como objetivo ''a informação, divulgação e educação acerca de temas médicos, e cujos artigos expressam tão-somente o ponto de vista dos seus respectivos autores. Tais informações não deverão, de forma alguma, ser utilizadas como substituto para o diagnóstico médico ou tratamento de qualquer doença sem antes consultar um médico''.
De acordo com o vice-presidente do Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR), Alexandre Gustavo Bley, ''a internet teve um papel importantíssimo para democratizar o acesso ao conhecimento da população.'' ''O meio médico está incluído nessa democratização, no entanto a população precisa buscar informações em sites confiáveis'', ensina Bley.
Segundo o vice-presidente do CRM-PR, os endereços eletrônicos com as informações mais precisas são os ''das associações médicas, por exemplo de cardiologia, endocrinologia ou também os sites governamentais, do Ministério da Saúde''.
Apesar da facilidade de acesso à informação, Bley acredita que a internet deve servir apenas para tirar dúvidas que normalmente não são informadas durante a consulta, ''como, por exemplo, alguém com diabete busca uma sugestão de exercício físico''.
De acordo com Bley, quando um paciente procura por informações médicas na internet, antes de consultar um médico, ele corre o risco de passar por uma angústia desnecessária. ''Recentemente uma mulher veio para uma consulta já com seu diagnóstico. Ela disse que pesquisou na internet e até tinha visto qual remédio deveria tomar, só me perguntou a dose. Imagine uma moça de 20 e poucos anos que ficou muito angustiada pois tinha visto fotos na internet da doença que poderia causar amputação nos dedos, mas apenas num caso específico. Ela ficou angustiada à toa, pois o caso dela não oferecia complicações. Eu tentei tranquilizá-la mas aposto que ela deve ter ido em outros dois ou três médicos depois ainda'', comentou.


