Pacientes buscam a cura de doenças no veneno das abelhas
PUBLICAÇÃO
domingo, 01 de julho de 2007
Flora Guedes<br> De Curitiba 
Andando com dificuldades e ajuda de uma bengala, o funcionário público aposentado João Cândido Lara Neto, de 59 anos, se dirige ao estabelecimento onde, a cada 15 dias, recebe cerca de dez ferroadas de abelha. Portador de esclerose múltipla desde os 34 anos, optou por se tratar com o veneno de abelha, ou a apitoxina, há sete anos. Meu tratamento é exclusivamente o veneno de abelha, vitaminas e exercícios, disse ele, enquanto levava as ferroadas no joelho, nas mãos e na cabeça.
O efeito é instântaneo, já sinto a reação no meu organismo e na locomoção, relatou João, que, em seguida, levantou sozinho da cadeira e saiu andando sem a bengala. O aposentado confessa que a iniciativa do tratamento foi própria. A maioria médica é contra a apitoxina, nem o meu neurologista, nem a minha nutróloga recomendaram que eu fizesse o tratamento, explica. O aposentado conta que, no começo da doença, fazia aplicações de veneno de cobra trazido dos Estados Unidos, cujo efeito era similar ao da abelha.
Desde que comecei a levar as ferroadas, nunca mais tive crises. Antes, quando eu tinha crises precisava tomar cortisona, mas agora o veneno da abelha provoca a produção natural da cortisona no organismo. É muito melhor, compara João Cândido. Para ele, não há possibilidades de ficar sem as picadas da abelha. Sinto falta. Imagine que graças ao veneno da abelha eu pude dançar com minha filha no baile de formatura dela. A minha vida mudou, conta João Cândido.
O estabelecimento, em Curitiba, onde João recebe as ferroadas não é revelado, nesta reportagem, para não aumentar a demanda de pessoas e também porque o tratamento com apitoxina não é registrado junto ao Ministério da Saúde. No local, é feita aplicação da apitoxina gratuitamente para as pessoas, cujo serviço é divulgado de boca-em-boca. A aplicação nas costas, na altura da cintura e das axilas, estimula a produção de cortisona pelas glândulas supra-renais e nos locais de dor previne a atrofia muscular.
As ferroadas, no entanto, são feitas apenas em pessoas imunes ao veneno da abelha, aquelas que são alérgicas ou hipersensíveis não podem se submeter ao tratamento nos casos mais graves pode levar até a morte. As aplicações são cuidadosamente registradas numa ficha, com dia, total de ferroadas e local, informações exigidas pelos médicos, até porque é preciso apresentar um protocolo médico para fazer o tratamento. Na ficha também é informado os problemas de saúde: esclerose múltipla, reumatismo, artrite, hérnia de disco, dores na coluna, escoliose e fibromialgia.
Não se trata de algo de fundo de quintal, a apitoxina é um conhecimento universal. Basta fazer uma pesquisa, ler publicações. Agora a classe médica apoiar ou não é questão de abertura de cada profissional. Sou plenamente convencida que é a melhor alternativa para minha saúde e qualidade de vida, defende a socióloga aposentada Roseli Arins, 53 anos, que recebe as ferroadas, toda semana, há mais de dois anos e tem aprovação de um médico para o tratamento. De lá para cá, exames comprovam que a doença não teve evolução.
A socióloga teve o diagnóstico de artrose (desgaste das articulações), há três anos, e decidiu não fazer o tratamento convencional devido aos efeitos colaterais. Não cheguei a ter dor, nem restrição dos movimentos, mas optei pela prevenção com a apitoxina, que é natural e não vai me causar transtornos ao tratar uma doença que não tem cura, justifica Roseli, que diz ser perfeitamente suportável a ferroada. Meu alergologista ficou perplexo quando soube que eu fazia o tratamento há tanto tempo. Pediu, então, um exame de rastro para abelha. O resultado foi dentro da normalidade. Ele não fez nenhum comentário, conta ela.


