Seis cirurgias para implantação das placas de eletrodos na retina já foram realizadas desde 2002, quando o primeiro paciente passou pelo procedimento. A pesquisa que começou em 1999, no Hospital Johns Hopkins, em Baltimore (EUA), com a equipe dos médicos Mark Humayun e Eugene de Juan, teve prosseguimento no Doheny Eye Institute, em Los Angeles.
  Gildo Fujii, que faz parte da equipe, explica que são de seis a sete horas de cirurgia, e que depois dela o paciente precisa reaprender a enxergar. ‘‘Nós (pesquisadores) estamos aprendendo a ‘conversar’ com o cérebro’’. O primeiro a passar pelo procedimento, um paciente de 71 anos, que não enxergava há mais de 50 anos, passou por dezenas de testes.
  ‘‘No princípio ele conseguia perceber formas e objetos e foi progredindo com os meses de treinamento e testes (como os para ver linhas horizontais e verticais ou para apontar qual lâmpada estava acesa)’’, explica. Fujii ressalta que o paciente que usa o olho biônico precisa ‘‘aprender a interpretar a imagem que está vendo’’.
  ‘‘Mesmo assim, ele já se torna mais independente, principalmente em ambientes que já conhece. Ele consegue desviar de objetos e perceber se está vestindo roupa clara ou escura’’, aponta.
  A primeira geração dos eletrodos, segundo o oftalmologista, tinha 16 pontos de conexão nas placas, e a próxima deverá vir com 60 pontos. ‘‘É praticamente cinco vezes mais e trará muito mais benefícios’’, ressalta. Esse aparelho é que poderá estar no mercado daqui a três ou quatro anos, ‘‘se tudo der certo’’. ‘‘Daqui a dez anos, o que se espera é melhorar a resolução do aparelho e que o paciente já consiga distinguir fisionomias’’, prevê.
  O desenvolvimento de novas tecnologias e a popularização do olho biônico, segundo Fujii, também deverá baixar o custo do procedimento que hoje gira em torno de US$ 50 mil a US$ 100 mil só o implante.
  A pesquisa escolhe voluntários com mais de 50 anos, segundo o médico, porque parte do princípio que pessoas mais jovens terão mais tempo para se beneficiar de novas tecnologias.
  A expectativa é que o uso do olho biônico também seja ampliado, não só para pacientes com a retinose pigmentar, mas para outros casos de cegueira.(C.P.)

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