Londrina - Se no âmbito administrativo medidas já estão sendo tomadas, a repercussão do caso também pode ocorrer no âmbito judicial. De acordo com o advogado Bruno Galoppini, há três situações que precisam ser esclarecidas sobre o episódio: a presença de outras pessoas no centro cirúrgico que não estavam realizando o procedimento, a gravação das imagens da cirurgia e a veiculação dessas imagens na internet.
Sobre a presença de outras pessoas, o advogado explica que deve-se levar em consideração que o HU é um hospital-escola, portanto é comum que algumas cirurgias sejam assistidas por alunos e funcionários. ''Até aí, não vejo nenhuma situação anormal, diferentemente se tivesse ocorrido em um hospital que não tem esse caráter'', explica.
Já com relação às filmagens e fotografias, Galoppini é taxativo ao dizer que isso depende sempre do consentimento do paciente e, no caso de estar inconsciente, a família poderia ter autorizado por escrito. ''Se o registro for feito com finalidade didática - tendo em vista que o paciente foi atendido em um hospital da universidade - deveria haver essa autorização. Se não houve, o ato ilícito começa aí: quem fez o filme e quem permitiu que fosse feito.''
Considerando que as imagens foram divulgadas na internet, ele também defende que houve ilegalidade. ''Ainda que o paciente não tenha sido identificado, as imagens foram postadas em um site que não é de interesse médico. Pelo contrário, foi disponibilizado ao público em geral num contexto de ridicularização'', comenta o advogado.
Diante dessa situação, Galoppini ressalta que o paciente poderá pedir indenização por danos morais caso sinta-se lesado. ''Mas a meu ver, apenas com relação às filmagens sem consentimento e a posterior veiculação na internet'', pontua. ''A situação toda só demonstra que há pessoas ali dentro que não respeitam os pacientes com a devida seriedade, dado o comportamento mostrado no vídeo. E essa é uma conduta que deve ser punida.''

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