Paciente não tem acesso a índice de infecção de hospitais
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 05 de junho de 2014
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
Londrina - Você gostaria de poder saber o índice de infecção do hospital onde irá procurar atendimento? Essa possibilidade é rotina em muitos países. No Brasil, no entanto, isso está longe de acontecer. "Lamentamos a falta de divulgação dos índices de infecção ao cidadão e a falta de maturidade em trabalhar com esses dados. Acreditamos que o simples fato de se estabelecer a obrigatoriedade dessa divulgação provocaria um grande movimento na direção de maiores investimentos em prol do controle das infecções relacionadas aos cuidados da saúde. O que se investe para prevenir tais eventos ainda é muito pouco em relação ao que se tem de tecnologia disponível no mercado hoje", defende Fábio Motta, presidente do Instituto de Planejamento e Pesquisa para Acreditação em Serviços de Saúde (Ipass).
Para o presidente da Associação Brasileira de Infecção Hospitalar (Abih), Luís Fernando Waib, a divulgação de índices de infecção é extremamente trabalhosa para os profissionais do hospital, mas essencial para a consolidação da cultura de prevenção. "Esta dificuldade faz com que boa parte dos controladores de infecção considere problemático divulgar indicadores complexos, como os de infecção hospitalar, para o público leigo, pois seria necessário contextualizar o dado (indicador) para que se torne uma informação. Outra preocupação é a de que, uma vez se tornando compulsória, poderia haver subnotificação de indicadores, de modo a não prejudicar a imagem de determinado hospital", alerta.
No Paraná, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) divulga, desde 2012, informações em seu site sobre três indicadores, considerando o conjunto de Regionais de Saúde. Paulo Costa Santana, chefe do Centro de Vigilância Sanitária (Cevs), explica que os indicadores avaliados são de infecção primária de corrente sanguínea associada a cateter venoso central (IPCS), pneumonia associada à ventilação mecânica (PAV) e infecção de trato urinário associada à sondagem vesical de demora (ITU). "Os hospitais monitorados são todos os que possuem Unidades de Terapia Intensiva (UTI) em consequência da maior quantidade de procedimentos invasivos realizados nessas unidades." Os dados são enviados pelos hospitais ao Sistema On-line de Notificação de Infecção Hospitalar (Sonih) desde 2011.
Presidente da Associação Paranaense de Controle de Infecção Hospitalar (Aparcih), a infectologista Viviane Dias alerta, contudo, que para uma interpretação comparativa de índices de diferentes hospitais é preciso que antes sejam pareadas realidades semelhantes e as informações sejam fornecidas para a devida compreensão do cidadão. "Não seria adequado apenas jogar os números sem alguma explicação. Portanto, para que a divulgação de índices ao cidadão possa ser útil, é necessário que antes seja trabalhado o seu envolvimento no seu próprio cuidado, além do entendimento adequado para interpretação correta dos números. Isso exige uma mudança cultural, o que deve ser estimulado", alerta.


