Porto Alegre, 20 (AE) - O paciente Dionísio Eloi, de 46 anos, recebeu ontem (19) o primeiro coração artificial elétrico e interno do Brasil, no Instituto de Cardiologia, em Porto Alegre. Trata-se de um modelo HeartMate, fabricado nos Estados Unidos, que custa US$ 70 mil. Eloi estava com o coração dilatado e corria risco de vida. A cirurgia demorou quatro horas e foi feita pela equipe liderada pelo cirurgião Ivo Nesralla, formada por quatro médicos e 12 enfermeiras.
"Eloi está acordado, ainda está no respirador artificial, mas passa bem", informou hoje a enfermeira, Lídia Lucas Lima. Com 1.200 gramas e 10 cm de diâmetro, o HeartMate foi implantado no abdome, logo abaixo do diafragma, conectando-se ao ventrículo esquerdo e à aorta. Sua função é bombear o sangue. Em seis semanas, sua parte interna estará recoberta por tecido epitelial, semelhante ao existente no interior aos vasos sanguíneos.
O HeartMate é impulsionado por uma bateria elétrica, externa, de tamanho semelhante às de telefone celular, que o paciente carrega em um cinto. Um fio recoberto por material biológico liga o aparelho à bateria. "Outros corações artificiais já foram implantados no Brasil mas são do modelo pneumático e não elétrico e, com eles, o transplantado precisa empurrar um carrinho permanentemente", comentou Lídia, especialista em transplantes, que participou da cirurgia.
Eloi tinha duas dificuldades para receber um coração humano. "Seu sangue é "O", que serve para todos mas impõe ao paciente receber doação do mesmo tipo, e é uma pessoa grande, com cerca de 90 quilos, necessitando de doador do mesmo porte, o que torna a recepção ainda mais difícil", explicou a enfermeira.
O HeartMate pode ser um coração definitivo -- nos Estados Unidos, existem pessoas que vivem há três anos com o equipamento -- ou servir para assegurar a vida do cardiopata enquanto não encontrar um doador adequado. Quem recebe o aparelho precisa tomar antibióticos pelo resto da vida para impedir infecções. Apoiado por um grupo de empresas gaúchas, o Instituto de Cardiologia comprou dois corações artificiais e todo o instrumental para sua implantação por US$ 450 mil. A cirurgia foi feita pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

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