Paciente em coma é identificado por irmã
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terça-feira, 08 de novembro de 2005
Gilberto Amendola<br>Agência Estado 
São Paulo, 7 (AE) - Helinho! Helinho! Aqui é a Cidinha, lembra? Para espanto de médicos e enfermeiras, uma lágrima escorreu pelo rosto do paciente em coma. A pedagoga Aparecida Vilalba, de 27 anos, sentiu um calafrio e não teve mais dúvidas. Aquele era o seu irmão.
Terminou assim o mistério do homem internado há quase três meses no Hospital São Paulo. O rapaz foi encontrado desacordado em uma esquina da Avenida Juscelino Kubitschek, na zona sul da capital paulista. Traumas no abdome e na cabeça indicavam que ele teria sido atropelado.
A história chamou a atenção da mídia e provocou uma romaria de famílias de desaparecidos ao Hospital São Paulo. Cerca de 150 pessoas passaram pelo quarto do paciente. Invariavelmente, entravam cheias de esperança e saíam chorando. Até hoje de manhã ele era um paciente sem identificação, passado, parentes ou amigos. Mas isso acabou...
Seu nome é Hélio Miranda, tem 35 anos e nasceu em uma cidade chamada Ervália, na Zona da Mata, Minas Gerais. Há 15 anos, ele teve uma discussão mais áspera com o pai, decidiu pegar um ônibus e tentar a sorte em São Paulo. Veio procurar emprego. ''Como tantos outros que tentam uma vida melhor por aqui'', disse a irmã.
No primeiro ano de São Paulo, Miranda ligou para a família. Disse que estava trabalhando e tudo ia bem, mas não entrava em detalhes. Além disso, prometeu voltar para passar o Natal ao lado da mãe, Onélia.
O Natal passou e Miranda não apareceu. Depois disso, foram apenas algumas ligações esparsas e rápidas. Nenhuma informação sobre onde estaria morando ou trabalhando. Há seis anos, essas ligações deixaram de ser feitas. ''A gente pensou o pior'', disse Aparecida.
Na semana passada, Onélia viu uma foto do paciente em um jornal. Apesar de debilitado, era o seu filho, disse o instinto de mãe. Nervosa, ela ligou para a filha, que mora em Teresópolis (RJ). ''Ela pediu para que eu viesse para São Paulo. Queria que reconhecesse meu irmão. Não acreditei, mas resolvi atender ao pedido'', contou.


