Dois meses de psicoterapia e, José (nome fictício) desistiu de fazer a cirurgia de estômago. ''Falou que não ia fazer mais (a cirurgia) porque tinha medo'', lembra a psicóloga Maria Salete Arenales Loli. Obeso mórbido, ele não andava e tinha que ser carregado em uma maca para as poucas movimentações que fazia. Sete anos mais tarde procurou a psicóloga para falar que estava pronto. ''Ele me disse que uma frase havia mudado sua vida, quando ele foi alertado que 'funcionava' como um bebê, que não ia atrás de nada, as coisas vinham até ele'', conta.
Neste período, José emagreceu quase 30 quilos sozinho e voltou a trabalhar. Buscou na cirurgia o emagrecimento, não a felicidade. ''Não esqueço do que ele me disse: agora vou por minhas próprias pernas''.
Já para a dona de casa Maria (nome fictício), o medo antes da cirurgia era querer comer e não poder. ''Mas não sinto falta de nada, como de tudo um pouco, aprendi a comer'', diz, depois de um ano e meio de cirurgia e 40 quilos a menos na silhueta.
Maria chegou a pesar quase 106 quilos, demais para os seus 1,60 metro de altura. Cansada de fazer regime (''fiz dos 15 aos 30 anos de idade''), e de por várias vezes tomar remédios para emagrecer, optou pela cirurgia. ''Com os remédios consegui foi uma bela de uma depressão. Com a cirurgia, a esperança era que tudo se resolvesse'', conta. Mas a grande mudança, avalia, foi nela mesma: ''eu me amo mais hoje, e quando a gente muda nosso comportamento, as pessoas também mudam com a gente''. (C.P.)

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