São Paulo, 26 (AE) - Uma pesquisa brasileira descobriu uma mutação genética que faz pacientes infectados pelo HIV responderem melhor ao tratamento. O estudo, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), avaliou 177 pacientes com o vírus da aids - 12,4% apresentavam a mutação. Entre os pacientes portadores desse defeito genético, 60% tiveram um aumento das células de defesa com o tratamento, enquanto 33% sem essa mutação obtiveram a mesma resposta, informou a pesquisadora Conceição Aparecida Accetturi, coordenadora da Unidade de Pesquisa Clínica de HIV/Aids da Unifesp.
Essa descoberta poderá ser usada pelos médicos para reduzir o custo dos tratamentos anti-retrovirais, usados atualmente para impedir a mutliplicação do HIV no corpo. "Um paciente que tem a mutação não precisa usar tantos remédios quanto os demais", afirmou Conceição.
O HIV usa dois receptores para entrar nas células de defesa, os linfócitos T. Um desses receptores é o CCR5. Uma mutação genética do CCR5 dificulta a entrada do vírus na célula, provocando, portanto, um melhor resultado do tratamento. A mutação ocorre com mais frequência em pessoas brancas.
A melhora no tratamento foi observada em pacientes com mutação heterozigota, ou seja, apenas uma parte do gene tem esse defeito. Se o paciente apresenta esse defeito nas duas partes do gene, ou seja, uma mutação homozigota, tem uma proteção natural contra o HIV. "Hoje a literatura médica indica apenas quatro pessoas com mutação homozigota que foram infectadas pelo HIV", disse. Essa mutação, no entanto, é muito rara.

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