Paciente com dor crônica receberá remédio supercontrolado do SUS
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quarta-feira, 24 de julho de 2002
Sandra Sato<br> Agência Estado 
Brasília - Pessoas com dor crônica vão receber gratuitamente medicamentos à base de morfina, codeína e metadona, em centros de referência credenciados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A liberação de recursos para as secretarias estaduais cuidarem da compra é uma resposta às críticas da Organização Mundial de Saúde (OMS) ao baixo emprego desses remédios para aliviar a dor em pacientes brasileiros.
Os remédios contra dor, com venda proibida em farmácia, deverão estar disponíveis no início de setembro nos centros de referência oncológica ou de tratamento para a dor. São indicados para doentes com câncer ou com outras doenças degenerativas que causam dor permanente. O Ministério da Saúde estima em 60 mil o número potencial de pacientes que necessitam usar sistematicamente tais remédios supercontrolados.
Os portadores de hepatite C também terão acesso ao interferon peguilado, um medicamento novo e caro que o governo federal resistia em oferecer na rede pública. ''Não existia uma comprovação científica da eficácia do produto'', justifica o secretário de Assistência à Saúde do Ministério da Saúde, Renilson Rehem, informando que o remédio é cerca de 40 vezes mais caro do que o interferon comum, já distribuído pelo SUS.
Vão receber o tipo peguilado pacientes com o tipo I do vírus, baixa carga viral e fibrose hepática. O doente deve ir a uma unidade de saúde para receber o remédio e não poderá levá-lo para casa. Caso em três meses a pessoa não responda ao tratamento, será excluída desse programa.
O interferon peguilado e os sedativos estão entre os 87 medicamentos excepcionais do SUS, lista ampliada anteontem em 38 itens por causa da economia de R$ 120 milhões gerada com a isenção de ICMs, PIS e Cofins aprovada pelo Conselho Nacional de Política Fazendária para tais remédios. Com o aumento da oferta de remédios, o governo pretende triplicar o número de beneficiados para 384 mil pessoas. Entre elas, portadores de Parkinson, artrite reumatóide, osteoporose e esquizofrenia refratária.
''A dor crônica não tem jeito, acompanha a pessoa até a morte'', esclarece o secretário Rehem. Ele explica que, normalmente, o problema afeta pacientes em fase terminal ou portadores de câncer situado na área da coluna. O secretário ressalta que nem toda dor pode ser considerada crônica. Uma dor de cabeça, por exemplo, pode ser consequência de deficiência visual ou dentes cariados, diz o secretário.


