Paciente acusa hospital de cobrar por tempo de espera
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quarta-feira, 08 de julho de 2015
Samara Rosenberger<br>Grupo Folha 
Arapongas O Hospital Regional João de Freitas, em Arapongas (Região Metropolitana de Londrina), teria cobrado pelo tempo de espera para atendimento médico particular. A reclamação é da mãe de um paciente, que preferiu não ser identificada. Segundo ela, o hospital teria incluído na cobrança um valor referente à duração do atendimento desde o momento em que ela entrou na recepção até o horário de saída.
Em entrevista ao Portal Bonde, a mulher contou que levou o filho ao hospital no dia 11 de junho, por volta das 23h40, e solicitou uma consulta particular. "Paguei R$ 120 para que ele fosse atendido mais rápido", afirmou. "Após o pagamento, entramos no hospital e aguardamos pelo chamamento do médico em uma sala", completou.
Cerca de 40 minutos depois, o profissional atendeu o paciente e o encaminhou ao Pronto Socorro para receber a medicação. "A consulta durou cerca de cinco minutos e ficamos aguardando novamente pela administração do remédio ao lado de pacientes acidentados e em estado grave". Entre a entrada no hospital e a alta, a reclamante alegou que se passaram cerca de três horas. "Por volta das 2h30, fui à recepção, pedi um recibo, mas a atendente não conseguiu imprimir por falha no sistema e voltei dias depois para pagar o medicamento."
A entrevistada disse que estranhou a aplicação da tarifa, no valor de R$ 12, no ato do acerto. "Questionei a funcionária e ela me disse que a cobrança era referente ao tempo em que eu fiquei esperando até a conclusão do atendimento, ou seja, R$ 4 por hora. Fiquei indignada, é algo absolutamente sem lógica. As pessoas pagam para esperar?", questionou. Depois de muita reclamação, a gerência teria optado por receber apenas uma hora (R$4) e conceder o desconto de R$ 8.
PROCON
Segundo o coordenador do Procon de Arapongas, Paulo Sérgio Camparotto, a arrecadação de uma taxa pela espera do atendimento é abusiva. "Embora não exista uma regulamentação específica acerca dos estabelecimentos de saúde, o profissional que trabalha com agendamento, particular ou SUS, não pode cobrar pela demora", informou. "Assim que tivermos acesso aos documentos vamos investigar a prática em parceria com o Ministério Público."
Apesar do valor considerado baixo, Camparotto ressaltou a importância de apresentar qualquer indício de irregularidade com os órgãos fiscalizadores. "O volume de atendimento é gigantesco em um hospital desse porte, ou seja, imaginem o total de arrecadação", exemplificou. Caso sejam constatadas as ilicitudes, o hospital estará sujeito à aplicação de multa. "Também cabe uma ação coletiva por parte do MP e a ordem para que a prática seja coibida."
O Procon de Londrina informou que não recebeu nenhuma denúncia recente de cobrança por espera em hospitais na cidade ou região. Segundo o órgão, nestes casos, é mais comum que as pessoas procurem a Justiça.
HOSPITAL
O Hospital João de Freitas negou à reportagem a incidência da taxa de espera. Alegou que há cobrança da taxa de sala e/ou observação, relativo ao uso das instalações em caso de realização de procedimentos médicos, como inalações e outros cuidados. O preço, segundo o hospital, varia conforme o tipo de intervenção.
A Federação Brasileira de Hospitais (FBH) também informou que não tem conhecimento sobre a taxa de espera. De acordo com a entidade que representa mais de 6,7 mil hospitais no País, há legalidade na taxa de observação e/ou sala, concernente ao procedimento pelo qual o paciente é submetido. Esse valor, entretanto, deve ser fixo e não variável conforme a duração.


