Brasília - O diretor da SOS Mata Atlântica, Mario Mantovani, criticou o Programa de aceleração do crescimento (PAC), o qual classificou como ''uma desgraça do ponto de vista ambiental''. Ele afirmou ainda que as licenças que dizem que são concedidas junto ao PAC são ''permissões para destruir'' o meio ambiente e não para protegê-lo.
Mantovani atacou também o novo ministro do Meio Ambiente, Carlos Min, que chamou de ''alucinado'' por ter mudado de posição e passado a apoiar o governo na construção de mais três usinas nucleares, antes condenadas por ele. Minc rebateu as acusações dizendo que ''discordava'' de Mantovani e justificando que é possível desenvolver um país sem destruir o meio ambiente.
As declarações de Mantovani foram dadas pouco antes de começar a cerimônia de comemoração do Dia do Meio Ambiente, no Palácio do Planalto, na qual a ex-ministra Marina Silva não compareceu. ''É preciso que o governo caia na realidade e veja que a tendência é valorizar a questão ambiental e não querer cortar caminhos, fazendo estes projetos'', declarou ele, referindo-se ao PAC e à aprovação da construção de usinas hidrelétricas, com grande impacto no meio ambiente, na sua avaliação.
''Não é possível a gente acordar aí com um ministro alucinado falando em fazer mais três usinas nucleares'', desabafou. ''Isso não é PAC. É má fé com a sociedade'', prosseguiu o ambientalista. Ele lembrou que Minc ''combateu o projeto da bomba que estava travestido de projeto nuclear'' e indagou: ''quem vai pagar mais R$ 7 (bilhões) ou R$ 8 bilhões para fazer um projeto errado como este?''.
Depois de repetir que ''o PAC é uma desgraça do ponto de vista ambiental'', Mantovani recomendou que ''a atitude agora é baixar a bola para que não se avance com esses devaneios desenvolvimentistas e dizer, no dia do meio ambiente, que sustentabilidade é coisa séria e não fruto de devaneios''.
O diretor do SOS Mata Atlântica afirmou também que ''o governo Lula tem sido muito ruim do ponto de vista ambiental'', e que as licenças ambientais concedidas têm beneficiado ''empreiteiras e projetos políticos que não têm compromisso social''. E encerrou: ''não podemos admitir isso''.

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