A plataforma P-36 adernou ontem mais 4º, aumentando para 27º o seu nível de inclinação, o que para a Petrobras significa que ela está passando pelo ‘‘seu pior momento’’ desde quando foi atingida por três explosões seguidas, na quinta-feira, provocando a morte de dez trabalhadores.
Anteontem, a estatal havia anunciado que o trabalho de recuperação da unidade estava tendo bons resultados, uma vez que a estrutura tinha parado de afundar e recuperado dois graus na inclinação - passando de 25º para 23º.
A medição, feita ontem por volta das 6 horas por técnicos que participam da recuperação da plataforma, também indica que ela afundou mais 40 centímetros em relação ao dia anterior.
‘‘A notícia não é muito boa. Na verdade, a P-36 está vivendo seu pior momento, mas continuamos com esperanças de que a unidade possa ser recuperada’’, afirmou o gerente-geral da unidade de negócios da Petrobras na bacia de Campos, Carlos Eduardo Bellot.
Foram apontadas duas causas para a piora do estado da estrutura: a frente fria que atinge a Bacia de Campos, provocando ondas, e a existência de aberturas, que se comunicam com os vários compartimentos da plataforma, permitindo a entrada de água.
As ondas estavam ontem com um tamanho médio de 1,5 m, com picos de até 1,8 m. Segundo a Petrobras, o tempo deve começar a melhorar hoje à tarde. A partir de quarta-feira, as ondas poderão estar com altura máxima de 1,2 m.
‘‘O tempo não está favorável, mas não está impedindo a operação, apenas tornando-a mais difícil’’, disse o gerente-geral.
Apesar da piora da situação da plataforma, continuam os trabalhos de injeção de nitrogênio e de ar comprimido - este último feito pela empresa holandesa Smit, especialista na operação - nos tanques 41 e 43, situados abaixo do convés inferior da estrutura.
O segundo tanque foi completamente esvaziado com a retirada de 400 toneladas de água. De manhã, começou a injeção no primeiro tanque, mas, até o início da noite, ainda não havia informação sobre o resultado da operação.
As 41 pessoas que trabalham na recuperação da P-36, entre elas 20 mergulhadores, passaram o dia estudando o local em que seriam instaladas mangueiras de injeção de nitrogênio e ar comprimido em outros três tanques (20, 21 e 22), localizados no ‘‘pontoon’’, parte mais inferior e afastada do centro de gravidade da plataforma, no flutuador.
‘‘Essa operação é muito importante para nós, pela posição estratégica desses tanques, de onde poderemos retirar cerca de 2.700 toneladas de água’’, explicou Bellot. A expectativa da estatal era que a retirada de água começasse ainda ontem.
Por volta das 3 horas de ontem, os mergulhadores iniciaram a descida do sino de mergulho, equipamento utilizado em grandes profundidades. O objetivo é o de fazer uma abertura na parte inferior de um dos flutuadores e acessar os três tanques, que estão a cerca de 60 m abaixo da superfície.
Os mergulhadores também estão tentando tampar as aberturas na superfície da unidade.

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