Ozoir não esquece a passagem da Seleção Brasileira
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quinta-feira, 03 de junho de 1999
Por Reali Júnior 
Paris, 04 (AE) - Um ano depois da Copa do Mundo da França, Ozoir la Ferriére, cidade de 20 mil habitantes onde esteve concentrada a seleção brasileira durante a competição, voltou a sua tranquilidade anterior, mas continua cheia de lembranças da passagem dos brasileiros, um acontecimento que marcou a vida dessa cidade nas vizinhanças de Paris. Não apenas pela presença dos jogadores e dirigentes da CBF, fechados na concentração do Chateau de La Grande Romaine, em Lesigny, só vistos de perto pelo público durante os treinos, mas também dos jornalistas e da torcida brasileira, fatores de animação da cidade, afirmam os proprietários dos restaurantes "Gueulardiére"e do "Relais d Ozoir", entre os melhores da cidade.
O prefeito socialista da cidade, Jacques Loyer, está muito satisfeito com as consequências da presença da seleção, muito positivas a seu ver, apesar do prejuízo orçamentário de 2 milhões de francos, mas que está sendo facilmente absorvido. O pior, segundo ele, foram os resultados de algumas iniciativas comerciais super dimensionadas. Alguns empresários imaginaram uma presença de torcedores muito maior e acabaram quebrando a cara. O prefeito lembra da fase preparatória quando os jornalistas brasileiros que visitavam a cidade diziam que ela seria invadida por brasileiros durante dois meses, o que não aconteceu. O prejuízo desses empresários foi estimado entre entre 3 e 5 milhões de francos. De uma maneira geral, afirma Jacques Loyer, os comerciantes da cidade tiveram bons resultados com a passagem da seleção.
Hoje, Ozoir é uma cidade conhecida na França, o que não era o caso anteriormente, mesmo sendo vizinha de Paris. O Estádio "Les Trois Sapins", onde treinou a seleção durante sua estada tem sido requisitado por inúmeros clubes amadores que organizam campeonatos. "Todos querem jogar no gramado onde treinavam os brasileiros", afirma Jacques Loyer.
Agora mesmo, nesse fim de semana, começa a Copa da França das empresas e o estádio, cuja capacidade de público voltou a ser a anterior, 500 lugares, vai estar repleto, brinca o prefeito. Durante a Copa, o estádio teve capacidade para 2.000 pessoas com as arquibancadas montadas especialmente, sendo que 84.000 pessoas passaram pelo estádio durante a presença brasileira. Hoje, o gramado que chegou a ser criticado por Zagallo é o melhor da região.
Quanto ao Chateau de la Grande Romaine, em Lesingy, seu diretor, Paul Chevalier, está preparando numa de suas dependências, o museu da seleção, utilizando um acervo de cerca de 600 fotos dos jogadores. O quarto de Ronaldinho é o mais procurado pelos clientes do hotel, apesar da convulsão sofrida pelo atleta no dia da final. Ele deixou alguns autógrafos nos móveis desse quarto. Recentemente, numa de suas passagens para a Turquia, o goleiro Tafarell se hospedou com sua família no hotel, lá permanecendo uma semana. Também Zagallo deixou muitas cartões postais em seu quarto. Agora, tudo isso vai para o museu. Os resultados comerciais, segundo Paul Chevalier, tem sido muito positivos e inúmeros clubes franceses tem escolhido o "Chateau de la Grande Romaine" como concentração na véspera de jogos importantes. Esse foi o caso do Paris Saint Germain, mas também do Lens na véspera da Copa da Franca e o Sedan, recém promovido a primeira divisão.


