Òxodo massivo faz países vizinhos lançaram alerta de fome e epidemia
DURAZZO, Albânia, 31 (AE-ANSA) - Macedônia e Montenegro bloquearam suas fronteiras perante o êxodo de dezenas de milhares de albaneses de Kosovo e se uniram à Albânia em um desesperado pedido de ajuda frente à fome e ao risco de epidemias.
O Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR) estimou nesta quarta-feira (31) em 160.000 as pessoas que desde o começo dos bombardeios da Otan - há sete dias - abandonaram Kosovo.
O grupo acrescentou que quase 90.000 destas fugiram para a Albânia, 22.000 para a Macedônia e mais de 40.000 para Montenegro.
A Macedônia - que ontem anunciou o fechamento de suas fronteiras devido à impossibilidade de dar assistência aos desamparados - reiterou hoje seus pedidos de ajuda à União Européia (UE), enquanto seguravam milhares de refugiados que continuavam chegando.
Pelo menos centenas de novos refugiados chegaram em um trem proveniente de Pristina. A fome, o frio e o desespero destes fez com que forçassem o cordão policial fronteiriço, enquanto os agentes cediam, impotentes, a milhares de mulheres e crianças que, às lágrimas, pediam ajuda.
A situação em Montenegro é igualmente dramática, ao tempo que milhares de pessoas ainda vagam pelos bosques de Kosovo rumo à fronteira, desafiando a ameaça de ataques como o que hoje atribuíram aos sérvios fontes da Otan.
As fontes disseram que pelo menos três batalhões sérvios dispararam ontem contra colunas de refugiados e bases da guerrilha separatista Exército de Libertação de Kosovo (ELK) no vale de Pagarusa, mas não forneceram detalhes nem mencionaram vítimas.
Fontes da Otan afirmaram que Malishevo, localidade a sudoeste de Pristina considerada um baluarte do ELK e onde se encontram concentrados cerca de 50.000 refugiados, foi bombardeada hoje pela artilharia sérvia.
A penúria dos que fogem - sempre segundo as mesmas fontes da Otan - não é muito pior do que a de quem ainda resiste a abandonar suas casas e tem de enfrentar o terror da "limpeza étnica" das tropas e milícias sérvias, além da ameaça de fome.
Segundo dados oferecidos hoje pelo Programa Mundial de Alimentos, Kosovo tem reservas de comida para, no máximo, 15 dias.
Os 90.000 refugiados que de acordo com os últimos dados da Otan e da ONU já se encontram em solo albanês têm alguma esperança pelas primeiras remessas de ajuda humanitária enviadas pela Itália.
"Chegam aos milhares, mortos de cansaço, com olhos nos quais se vê o desespero de quem já não tem no que acreditar, de quem agarrou-se a uma só certeza: estar vivo", disse à ANSA Pier Casaletto, um dos empresários italianos residentes em Tirana que acolheram refugiados em suas fábricas.
Casaletto mostrou-se cético sobre a posibilidade de que entre os refugiados existam sérvios "infiltrados", segundo versões que circulavam hoje na capital albanesa.
"Eu só vejo pessoas que perderam tudo, gente desesperada que não entende o motivo desta guerra e que repete histórias nas quais só mudam os nomes dos entes queridos perdidos, mas não as atrocidades, a violência e a morte", acresentou.
A população albanesa também ajuda os refugiados, dando alojamento aos desamparados em suas casas e compartilhando com estes seus escassos alimentos.





