Óvulos congelados à brasileira
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domingo, 09 de agosto de 2009
Chiara Papali<b>Reportagem Local 
Maringá - Uma técnica brasileira de congelamento, ou criopreservação, de óvulos, com vantagens em relação às conhecidas, é o resultado de oito anos de trabalho do especialista em reprodução humana Carlos Gilberto Almodin, de Maringá. A tecnologia, que pode virar referência mundial, será apresentada em outubro, em Atlanta, nos Estados Unidos, em um dos maiores congressos na área de reprodução humana. Um grupo da Espanha também já manifestou vontade de testar o novo método.
O médico explica que a idéia de criar uma tecnologia brasileira veio da necessidade de melhorar o que já existia, principalmente o tempo que se levava para o congelamento. ''Estávamos insatisfeitos com o que existia. Há oito anos achava-se que se fosse usado o mesmo protocolo de congelamento de embrião para o óvulo haveria sucesso. Mas não'', ressalta. Apesar do senso comum achar que o embrião é um conjunto de células muito mais delicado que o óvulo, é justamente o contrário. ''É muito mais difícil congelar o óvulo'', completa.
A pesquisa iniciada há oito anos com animais resultou em um protocolo de sucesso em humanos. Almodin e sua equipe inventaram uma técnica de vitrificar o óvulo diferente das tradicionais ''de maneira extremamente simples e sem a exigência de equipamento especial''.
O procedimento, segundo o médico, é rápido - ''leva de cinco a dez minutos no máximo'' - e tem um índice de recuperação de 96%. ''De cada dez óvulos congelados, nove são recuperados''. A taxa de gravidez é semelhante à natural, independente da idade da mulher.
O ''grande segredo'' para o congelamento, revela o pesquisador, foi ajustar os meios protetores da célula que se pretende congelar. Para isso são usadas duas soluções, uma que faz o equilíbrio, e outra que faz a vitrificação. Colocado em uma haste de prolipropileno, o óvulo recebe uma microgota da solução, para depois ser imerso em nitrogênio, que promove o congelamento. O método de coleta é igual ao já usual, em que a mulher usa medicamentos para promover a ovulação.
Uma das vantagens que a popularização de congelamento de óvulos deve trazer, aponta o médico, é a redução no número de embriões congelados. ''O número de embriões vai diminuir violentamente. Isso resolve um problema ético, moral e religioso que é manter o embrião congelado ou utilizá-lo para pesquisa'', opina. A Lei de Biossegurança, sancionada em 2005, permite a utilização de embriões humanos produzidos por fertilização in vitro desde que sejam inviáveis ou estejam congelados há três anos ou mais. Só podem utilizá-los instituições de pesquisa e serviços de saúde que tiveram seus projetos apreciados e aprovados por comitês de ética em pesquisa, e com o consentimento dos genitores. Já, o congelamento de óvulos permite que as células que não forem utilizadas sejam descartadas ou doadas.
Outra vantagem esperada, segundo Almodin, é a redução no custo do procedimento, principalmente porque dispensa o uso de equipamento de alto custo.
O desenvolvimento da técnica teve apoio da Universidade do Vale do Itajaí (Univale) e da Cesumar. No próximo mês, ela será apresentada no Congresso Brasileiro de Reprodução Assistida, que acontece em Curitiba. A tecnologia, segundo Almodin, está em processo de aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o que ''deve acontecer até o final do ano''.


