Paris, 01 (AE) - Pobre Bélgica! Agora são os ovos e os frangos! Este simpático e pequeno reino, que confina com a França ao Norte, está triste: há alguns anos perdeu seu rei queridíssimo, o "santo" rei Balduino. Ao mesmo tempo, homens selvagens - "os matadores de Brabant" - se compraziam em atirar a esmo sobre todos os clientes dos supermercados.
Depois, um personagem infame, chamado Dutroux, enganava mocinhas, as estuprava e as matava ... E, hoje, são os frangos!
O que fizeram eles, esses pobres frangos? Nada, apenas comeram, nas grandes granjas de criação industrial da Bélgina, rações de farinha barata e, portanto, repugnantes, compostas com dejetos industriais...
E essas farinhas contaminaram as aves injetando nelas uma substância tóxica, muito tóxica, a dioxina.
Imediatamente, a Europa fechou suas fronteiras a todos os frangos, galos, pintinhos, ovos produzidos na Bélgica, visto que a contaminação parece generalizada, pois 400 das 1.200 granjas avícolas belgas alimentam seus frangos com rações produzidas por uma empresa especializada na fabricação dessas farinhas perversas.
Por enquanto, os especialistas (quer os especialistas financeiros, quer os militares, os veterinários ou outros especialistas) garantem que a quantidade da dioxina é muito fraca para matar as aves. Não se pode absolutamente comparar - nos dizem eles - com o caso da vaca louca vinda da Inglaterra.
Entretanto, há riscos e perigos: por exemplo, uma espécie de pequeno símio, tratado com a dioxina, manifesta alguns distúrbios de aprendizagem. Outra desgraça: os machos, saturados de dioxina, tem dificuldade para satisfazer as fêmeas. E a administração de quantidades elevadas de dioxina gera o risco de câncer, mas de cânceres lentos que só podem ser detectados depois de muitos anos.
Esta peripécia nos lembra uma lição da "modernidade": tudo é suspeito em nossas sociedades poluídas. Uma alegre campina, inteiramente verde, banhada pelo orvalho da manhã, pontilhada em toda a parte de papoilas e dentes de leão, seria uma coisa inocente, uma benção de Deus!...
Absolutamente. Esta campina é uma "assassina", porque suas ervas recebem os resíduos de usinas de incineração, de fábricas de celulose ou de usinas siderúrgicas, dejetos cheios de dioxina. As vacas, que são animais mansos, de gênio sossegado, não desconfiam de nada. Elas comem avidamente a bela grama verde e, mais tarde, quando são fabricadas, com suas carcassas, as farinhas da ração animal, essas queridas vacas transmitem sua dioxina aos pintainhos e aos galos.
Outra lição: o peso, a lentidão dos mecanismos de controle. Na Bélgica, com certeza, mas também na França e na Alemanha, países nos quais a dioxina também causa estragos, como hoje sabemos. A fábrica que produz as faminhas avariadas forneceu seu produto a pelo menos duas granjas avícolas alemãs e a uma francesa.
Na França, o governo ficou inerte, como que atordoado durante vários dias depois do alerta na Bélgica. Apesar disso, a França é maravilhosamente bem administrada. É exatamente esta administração excelente que explica o atraso na revelação do caso da dioxina: na verdade, a saúde pública é fiscalizada na França com uma meticulosidade admirável por quatro serviços: a "Saúde", a Agricultura, a Repressão de Fraudes e, finalmente, a Agência de Segurança Sanitária. A administração é tão boa que, cada vez que se informa a respeito da dioxina do frango, o público é orientado para outro Ministério que, por sua vez, recomenda um outro serviço. No final deste "percurso do combatente", chegamos finalmente ao serviço realmente responsável: a Agência de Segurança Sanitária. Infelizmente, os funcionários, certamente por leviandade, colocaram o telefone da agência no serviço de "resposta automática".

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