A imagem de vilão que o ovo sustentou por tantos anos influencia até hoje o comportamento alimentar dos brasileiros. Hoje já se sabe que o ovo -alimento barato e nutritivo - fica numa posição privilegiada na dieta por ser rico em proteínas e de baixo valor calórico. Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), ele é um alimento de proteína padrão de consumo de fácil digestão. Além disso, é fonte de vitaminas do complexo B e possui vitaminas e minerais que enriquecem qualquer tipo de refeição.
A nutróloga Denise Kley explica que o efeito clínico do colesterol presente no ovo é desprezível, mesmo porque somente um terço do colesterol sanguíneo provém da dieta. O que a ciência já comprovou também é que o que aumenta o risco de doenças cardiovasculares são o tabagismo, o sedentarismo e a obesidade. ''Sugere-se que o consumo deva ser diário e há quem o indique ilimitado. As restrições para seu consumo são absolutamente individuais'', diz.
A maior discussão em torno do ovo é se a quantidade de colesterol pode prejudicar a saúde. Porém, pesquisas mostram que quase todos os nutrientes que o corpo necessita podem ser encontrados nele. De acordo com a organização da sociedade civil de interesse público (Oscip) Instituto Ovos Brasil, o ovo possui 13 vitaminas essenciais e minerais, proteínas de alta qualidade, gorduras insaturadas (saudáveis) e antioxidantes.
A nutricionista da entidade, Lúcia Endriukaite explica que pessoas saudáveis, de qualquer idade, podem comer um ovo por dia, preferencialmente cozidos ou omeletes. Ela diz também que não existe diferença nutricional entre os ovos brancos e vermelhos e que todos eles são ricos em betacaroteno, como a luteína e zeaxantina, pigmentos que tem a função de proteger a mácula, uma região da retina, evitando a degeneração pela idade. ''O ovo é um dos poucos alimentos que possui EPA (ácido eicosapentaenóico) e DHA (ácido docosahexaenóico) que são ácidos graxos ômega 3 importantes para a membrana celular e para o cérebro'', enfatiza.
Apaixonadas por ovo - A pedagoga Gisele Simone de Oliveira Rodrigues, mãe das gêmeas Heloise e Lívia, 5 anos, ficou satisfeita ao saber que o alimento faz tão bem para a saúde. Preocupada com a alimentação das filhas, que são apaixonadas por ovo, Gisele já chegou a ter que retirar o alimento do alcance das meninas, que pedem por ovo todo dia.
''Começamos a comprar mais porque elas querem toda hora. Elas abrem a geladeira e apontam o povo pedindo para que a gente prepare. Faço ovo no café da manhã, no almoço e se deixar comem na janta também. Agora estou controlando mais e fazendo com que comam sem exageros'', comenta Gisela.
Para as crianças, o alimento pode ser preparado de qualquer maneira, mas o ovo mexido com arroz ainda é o preferido do cardápio das meninas. ''As vezes eu frito, faço cozido e também cozinho ovos de codorna que elas gostam muito. A família toda gosta muito de ovo, então elas seguiram o mesmo caminho. Fico contente em saber que fará bem para a saúde delas'', finaliza.

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