Buenos Aires, 09 (AE-ANSA) - O general golpista paraguaio Lino Oviedo, asilado na Argentina há quase nove meses, está desaparecido desde hoje (09), informou o ministro do Interior argentino, Carlos Corach.
O advogado de Oviedo, Andrés Mesías, e seus partidários no Uruguai informaram que ele voltou clandestinamente ao Paraguai, mas o governo do país desmentiu categoricamente tal versão.
A notícia foi confirmada pelo chanceler paraguaio, José Félix Fernández Estigarribia, que afirmou não ter dúvida de qual será o destino dele, caso retorne ao país. "Ele tem uma sentença a cumprir", disse.
"Dentro do que se considera humanamente possível, não há nenhuma possibilidade de que Oviedo ingresse clandestinamente em território paraguaio; e, se entrasse, seria preso imediatamente", afirmou o ministro do Interior do Paraguai, Walter Bower.
As Forças Armadas paraguaias, contudo, declararam-se em alerta e convocaram todo o seu pessoal para um aquartelamento destinado a evitar "ameaças à ordem constitucional".
À noite, a mulher de Oviedo, Raquel Marín, confirmou que Oviedo deixou a Argentina, mas disse desconhecer o paradeiro do marido. "Meu marido saiu da Argentina para não deixar o peso Lino Oviedo ao novo governo e em agradecimento ao asilo concedido pelo dr. Carlos Menem."
A declaração de Raquel foi feita quando ela e seus quatro filhos desembarcavam no aeroporto de Corrientes, perto da fronteira com o Paraguai, vindos da Província de Terra do Fogo, onde Oviedo estava confinado.
As versões sobre os planos do golpista são contraditórias. Segundo alguns partidários, ele pretende entregar-se à Justiça paraguaia nos próximos dias.
O presidente paraguaio, Luis González Macchi, disse de Buenos Aires, onde assistirá ontem à posse do presidente eleito Fernando de la Rúa, que "amanhã esclareceremos esse assunto". Pouco antes, Macchi esquivou-se da imprensa ao ser perguntado sobre o paradeiro de Oviedo, dizendo: "Não sei, perguntem a Menem (numa referência ao presidente argentino)."
Rumores de que um plano de golpe de Estado estava em marcha no Paraguai causaram, nos últimos dias, a destituição de vários oficiais supostamente vinculados a Oviedo. Um jornal paraguaio chegou a detalhar o plano: o presidente paraguaio seria preso no aeroporto de Assunção ao retornar de viagem oficial, enquanto grupos civis oviedistas tomariam o Congresso e uma junta assumiria o poder. Os boatos sobre o retorno de Oviedo mais uma vez coincidem com a ausência de Macchi do país.
A primeira consequência da saída de Oviedo da Argentina será a perda automática do direito ao asilo político, concedido em março pelo governo de Carlos Menem, amigo particular do general. Ao mesmo tempo, um juiz paraguaio, Jorge Bogarín, emitiu hoje uma ordem de prisão internacional contra o golpista.
A situação do golpista na Argentina começou a complicar-se após a eleição de De la Rúa. Membros do governo que assumirá amanhã o poder na Argentina haviam declarado que o asilo seria revisto.
O general chegou à Argentina em meio à crise política aberta com o assassinato do vice-presidente Luis María Argaña, resultando na renúncia de seu afilhado político, Raúl Cubas. Líder de uma frustrada tentativa de golpe em 1996, Oviedo foi sentenciado a 10 anos de prisão.
Longe do Mercosul - Os presidentes Fernando Henrique Cardoso e De la Rúa preferem que Oviedo se asile em algum país que não faça fronteira com o Mercosul. De Buenos Aires, o presidente brasileiro declarou hoje à noite que Oviedo não havia pedido asilo ao Brasil e mesmo se o fizesse, este seria negado. "Primeiro, não sei onde está Oviedo; segundo, ele tem asilo na Argentina e, portanto, se quiser ir para o Brasil, não vejo razão para recebê-lo."

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