Oviedo será levado para a Patagônia
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 22 de setembro de 1999
Por Ariel Palacios, especial para a AE (assinatura obrigatória) 
Buenos Aires, 23 (AE) - A sóbria e áspera paisagem patagônica será alterada nos próximos dias pela chegada do ex-general golpista paraguaio Lino César Oviedo. O governo argentino decidiu que Oviedo, que está asilado no país desde o 29 de março
será removido de sua chácara na cidade de Moreno, na Grande Buenos Aires, para uma fazenda próximo à cidade mais ao sul no mundo, Ushuaia (pronuncia-se "Uçuáia"), capital da Terra do Fogo.
Ushuaia foi até a segunda década do século o destino de prisioneiros políticos ou de trabalhos forçados, mas hoje dedica-se à criação de ovelhas e ao turismo.
O motivo da remoção foi a constante atividade política que o ex-militar mantinha com centenas de aliados políticos paraguaios
com a intenção de promover seu retorno ao país para uma reconquista do poder. A gota dágua foi uma entrevista ao jornal "La Nación", onde Oviedo sustentou que pretendia voltar ao Paraguai, ter um julgamento onde o Mercosul seria o avalista e que depois participaria de eleições, as quais afirmou que venceria amplamente.
O ex-militar está asilado na Argentina desde março, quando fugiu do Paraguai por ser acusado de ter mandado assassinar o vice-presidente Luis María Argaña. Neste país, a amizade com o presidente Carlos Menem e os malabarismos da Justiça local para eludir os pedidos de extradição feitos pelo governo paraguaio o salvaram de ser enviado de volta.
A presença de Oviedo no país causou o estremecimento das relações entre os dois países, e a convocação dos respectivos embaixadores. Além da crise externa, Oviedo também causa dores de cabeça na política interna: o país está à beira de eleições presidenciais, e a oposição acusa o governo de estar dando refúgio à um inimigo da democracia.
Oviedo foi informado de seu traslado ao sul pelo secretário de Segurança, Miguel ángel Toma. Ao sair da reunião, sorrindo, Oviedo não fez declarações. Toma afirmou que não está confirmado o prazo no qual o ex-general seria removido. O ministro do Interior, Carlos Corach, declarou que com esta decisão "mantemos o compromisso com o direito de asilo, e também de impedir que o asilado viole as disposições desse direito", em referência às atividades políticas do ex-militar.
O ex-general, que nos seus dias de glória organizou em Assunção um desfile de carnaval onde se vestiu de César enquanto seus oficiais desfilavam disfarçados de centuriões, dedicou seu tempo de asilo na Argentina - além da conspiração - a realizar um milhar de abdominais diários. Preocupado com seu look, Oviedo também submeteu-se à um vasto implante de cabelos.
Ao ser informado da decisão do governo argentino, o presidente do Paraguai, Luis González Macchi, comentou ceticamente "como dizem por aí, é ver para crer".


