Oviedo recebe asilo político do governo argentino
Buenos Aires, 29 (AE-REUTERS) - O general da reserva paraguaio Lino César Oviedo - pivô da crise que desencadeou a renúncia do presidente Raúl Cubas, no domingo - recebeu hoje (29) asilo político do governo argentino, horas depois de ter sido detido no aeroporto de San Fernando, nos arredores de Buenos Aires. Oviedo chegou à Argentina na madrugada de ontem, depois de ter deixado o quartel da Guarda Presidencial, em Assunção, onde estava detido e de onde foi liberado pelo último decreto do curto mandato de Cubas.
Ele, a mulher - Raquel Marín de Oviedo, que é cidadã argentina - e três filhos, de 4, 7 e 9 anos, deixaram Assunção num avião particular turboélice BeachCraft, minutos antes de Cubas anunciar sua renúncia. Segundo fontes diplomáticas, o avião dirigiu-se para a Argentina depois de as autoridades do balneário uruguaio de Punta del Este se terem recusado a autorizar a aterrissagem no aeroporto local.
Na chegada a San Fernando, Oviedo foi imediatamente detido por policiais argentinos. Inicialmente, informou-se que ele tinha apresentado documentos falsos aos agentes de imigração. A versão, porém, não foi confirmada pelo Ministério do Interior da Argentina.
Oviedo pediu formalmente asilo político a Buenos Aires hoje de manhã, sob a alegação de estar sendo "politicamente perseguido" pelo governo paraguaio. Na Itália, onde está em visita oficial, o presidente argentino, Carlos Menem, disse que o país analisaria com cautela o pedido de Oviedo. Pouco depois, o presidente em exercício, Carlos Ruckauff, firmou o decreto concedendo o asilo.
Fontes diplomáticas do Mercosul desmentiram hoje versões segundo as quais o asilo político a Oviedo estava previsto no acordo que permitiu uma saída constitucional para a crise paraguaia, mas não disfarçaram o alívio de ver Oviedo, líder de uma tentativa de golpe de Estado em 1996, longe de Assunção.
Ao mesmo tempo em que o general obtinha o asilo em Buenos Aires, juízes paraguaios emitiam, em Assunção, ordens de prisão preventiva para Oviedo, para o irmão do presidente renunciante Carlos Cubas e para o ex-vice-presidente Angel Seifart.
A prisão de Oviedo foi decretada pela suspeita de seu envolvimento no atentado que causou a morte, na terça-feira, do vice-presidente Luis María Argaña, seu inimigo político. Carlos Cubas e Seifart tiveram a prisão decretada por responsabilidade nos distúrbios que se seguiram ao assassinato - a quinta vítima dos violentos choques entre facções rivais do Partido Colorado morreu hoje. O irmão do presidente era o ministro do Interior, cargo que ocupou por apenas quatro dias, durante o período em que os confrontos se registraram. Seifart, em declarações à imprensa, convocara a população a resistir ao processo de impeachment do Congresso que se destinava a remover Raúl Cubas do cargo.
O juiz Gustavo Ocampo também ordenou a prisão domiciliar de Raúl Cubas, para que se investigue se ele teve participação no atentado que matou Argaña, enquanto políticos argañistas pediam que se postergasse sua investidura no cargo de senador vitalício - ao qual ele tem direito por sua condição de ex-presidente.
Após a renúncia, Cubas não entregou a faixa e o bastão presidenciais ao presidente interino, Luíz González Macchi. Numa cerimônia meramente simbólica, as insígnias foram passada ao ex-presidente do Senado pelo antecessor de Cubas, Juan Carlos Wasmosy. Em entrevista após a posse, Macchi agradeceu aos países do Mercosul pelo apoio à democracia paraguaia e anunciou um "governo de unidade nacional".





