Oviedo pode voltar ao país, alerta jornal uruguaio.
Montevidéu, 10 (AE-DOW JONES) - O ex-general paraguaio Lino Oviedo pode renunciar à sua condição de exilado na Argentina e regressar ao Paraguai para se submeter aos tribunais. A revelação foi feita na edição de hoje do jornal uruguaio La República. O jornal informa que a inesperada decisão de Oviedo surpreendeu até seus assessores na Argentina e Uruguai. O jornal cita fontes ligadas ao militar.
As informações do La República foram confirmadas pelo ex-deputado e diplomata paraguaio, Carlos Galeano Perrone, que vive em Montevidéu, em declarações a uma emissora de TV local. Oviedo, asilado na Argentina, é processado no Paraguai acusado de ser o autor intelectual da morte do vice-presidente Luis Argaña, que provocou uma crise institucional no Paraguai que redundou na queda, em 28 de março, do presidente Raúl Cubas, exilado atualmente no Brasil.
Na semana passada o governo do presidente Carlos Menem se negou a extraditar o ex-general paraguaio, o que desatou uma crise entre os dois países. Segundo o La República, Oviedo deve pedir também ao governo do seu país que solicite a extradição do ex-presidente Cubas e do ex-ditador Alfredo Stroessner, também vivendo no Brasil. Segundo o jornal uruguaio, ele também deve pedir ao povo paraguaio "garantias para sua segurança pessoal" e aos governos do Mercosul "que lhe apliquem um processo justo".
Para o especialista argentino em direito internacional e direito da integração, Cirio Caldaña, não se deve submeter o futuro do Mercosul a uma disputa como a feita entre Paraguai e Argentina por causa do ex-general Oviedo. Caldaña, que participa em Assunção do VIII Encontro Internacional de Direito da América do Sul, que reúne cem especialistas, disse que os governantes serão responsáveis se fizerem prevalecer suas paixões acima do processo integracionista. Caldaña é diretor do Centro de Estudos Comunitários da Faculdade de Direito da Universidade de Rosário.
Relações tensas As relações entre os governos argentino e paraguaio continuam tensas. O ministro do Interior da Argentina, Carlos Corach, pediu hoje uma reparação a Assunção por causa da ofensa que funcionários do governo paraguaio fizeram ao presidente Menem. "A dignidade da república não pode ser agredida por manifestações absurdas", disse Corach. Referia-se, principalmente, às declarações do ministro da Defesa do Paraguai
Nelson Argaña, um dos filhos do vice-presidente Luís Argaña, para quem Menem "é sem vergonha" por ter se negado a devolver Oviedo.
Para o candidato às eleições presidenciais argentinas, Fernando de la Rúa (Aliança), a presença de Oviedo no país "é um fator que gera conflito para dentro do Mercosul". Para De la Rúa, o pedido paraguaio de extradição deve ser tratado pela Justiça.
Em Assunção, o ministro do Interior, Walter Bower, disse hoje que o Paraguai não pedirá desculpas ao presidente Carlos Menem. Em declarações feitas na cidade de Encarnación (400 quilômetros de Assunção), Bower disse que houve ofensa das duas partes e que o que os países precisam agora é "buscar uma nova etapa de relacionamento". Para o jornal paraguaio ABC Color, "muitos de nossos políticos parecem acreditar que no âmbito internacional podem comportar-se como o fazem aqui, dizendo tudo o que pensam, acusando qualquer um sem provas e com prepotência".





