Oviedo pode ser extraditado se oposição ganhar na Argentina
Buenos Aires, 07 (AE-AP) - O ex-general golpista paraguaio Lino César Oviedo pode ter seus dias contados na Argentina: sua permanência pode ir pouco além do dia 10 de dezembro, quando o novo presidente tomará posse. Se as pesquisas de opinião pública estiverem corretas e a atual tendência for mantida, o vencedor da eleição de 24 de outubro será Fernando de la Rúa, o candidato da coalizão de oposição Aliança UCR-Frepaso.
Como informa de Buenos Aires Ariel Palacios, especial para a Agência Estado, De la Rúa declarou que "Oviedo precisa procurar outro país" e a extradição deve ser decidida pela Justiça. Ele afirmou que o governo do presidente Carlos Menem está "assumindo uma atitude de proteção em relação a Oviedo". De la Rúa definiu como "grave" a crise surgida no Mercosul por causa de Oviedo.
Oviedo está asilado na Argentina desde março. Na semana passada, o governo argentino recusou um pedido paraguaio de extradição. O Uruguai também se negou a extraditar um aliado de Oviedo, o ex- ministro da Defesa José Segovia. No entanto, o Paraguai anunciou que fará novos pedidos. Oviedo é acusado de envolvimento no assassinato do vice-presidente Luis María Argaña, em 23 de março, enquanto Segovia é procurado por corrupção.
O chanceler argentino, Guido Di Tella, sustenta que é melhor para a democracia paraguaia que Oviedo esteja longe desse país. Falando sobre a comentada amizade entre Menem e Oviedo, Di Tella disse que "eles têm uma relação de conhecimento pessoal, mas a amizade não influiu em absoluto nas decisões" de conceder-lhe asilo e rejeitar sua extradição.
Em declarações à Rádio 10, o próprio Menem insistiu que o asilo a Oviedo não é fruto de nenhum "pacto ou amizade", acrescentando: "Essas acusações são fruto da difamação, injúria e calúnia a que nos têm acostumado os dirigentes da oposição e alguns exaltados dirigentes do Paraguai."
Entretanto, o novo chanceler paraguaio, José Félix Fernández, previu para breve uma solução para o conflito diplomático: "Estou convencido de que nossas diferenças de conceito sobre o asilo diplomático poderão ser solucionadas a curto prazo, porque os laços não estão rompidos e pretendemos continuar mantendo o mais alto espírito em nossas relações."
Depois de assumir o cargo, segunda-feira, Fernández ligou para seus colegas do Brasil e Argentina e eles concordaram em reunir-se dia 20 em Nova York, paralelamente à sessão da Assembléia-Geral da ONU (presidida pelo chanceler uruguaio, Didier Opertti), para discutir uma solução.
Irritado com a rejeição de seus pedidos de extradição, o Paraguai chamou sexta-feira de volta suas embaixadoras em Buenos Aires, Leila Rachid, e Montevidéu, Julia Velilla. Na segunda-feira, Menem e o presidente uruguaio, Julio María Sanguinetti, também chamaram "para consultas" seus embaixadores no Paraguai.
Ainda hoje, a Aliança UCR-Frepaso comprometeu-se ante a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) a respeitar as liberdades de opinião e expressão caso vença a eleição de outubro. O candidato a vice da Aliança, Carlos álvarez, firmou a Declaração de Chapultepec, com dez princípios para que a imprensa possa cumprir sua missão num Estado democrático. A declaração fora assinada na véspera pelo candidato presidencial peronista Eduardo Duhalde.





