Associated Press
De Buenos Aires
Um milionário empresário rural do Paraguai, Miguel Zelaya, declarou ao jornal argentino Clarín, em sua edição de ontem, que o ex-general golpista Lino Oviedo está em uma de suas fazendas no território paraguaio. Ao mesmo tempo, em declaração à Rádio Uno, de Assunção, o advogado de Oviedo, Max Narváez, confirmou seu retorno e aguarda ‘‘o momento adequado’’ para apresentar-se à Justiça.
Oviedo – líder de um fracassado golpe militar em 96 e acusado do assassinato do vice-presidente paraguaio, Luis María Argaña, em março – desapareceu da Argentina, onde estava asilado havia quase nove meses, na quarta-feira. Sentenciado a 10 anos de prisão pela rebelião militar, ele deve ser preso assim que for localizado.
A tese de que o ex-militar retornou ao Paraguai foi reforçada pela mulher de Oviedo, Raquel Marín, que deixou na quinta-feira a Terra do Fogo – onde a família estava confinada – para a Província de Corrientes, perto da fronteira paraguaia. ‘‘Ele se retirou para que Menem não tivesse de passar ao seu sucessor o peso de Lino Oviedo.’’
Na verdade, membros designados do novo governo de Fernando de la Rúa já tinham antecipado que revisariam a concessão feita por Menem ao seu amigo particular Lino Oviedo. Apesar das indicações de que ele esteja em território paraguaio, o governo do país recusa-se até mesmo a admitir a possibilidade de que ele tivesse burlado os controles de fronteira do país.
Com a notícia do desaparecimento de Oviedo, o governo paraguaio determinou o reforço no policiamento nas fronteiras. Na fronteira com Foz do Iguaçu, a Polícia Nacional dobrou – de cinco para dez – o número de policiais por turno na Ponte da Amizade. Eles revistavam porta-malas de carros e abordavam pessoas consideradas suspeitas que entravam em Ciudad del Este. Também foi intensificada a fiscalização no Aeroporto Guarani, em Minga Guazú, a 25 quilômetros de Foz do Iguaçu.
Ontem, emissoras de rádio especulavam que Oviedo poderia estar em Ciudad del Este. O boato mais forte era de que se abrigava em San Pedro, capital de um departamento homônimo, a 450 quilômetros ao norte de Ciudad del Este, próximo a Ponta Porã (MS). O governo chegou a enviar tropas militares a San Pedro, mas a informação não se confirmou. (Com Valmir Denardin, de Foz do Iguaçu)

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