Oviedo está no Paraguai, confirmam amigos
Buenos Aires, 10 (AE-ANSA) - Um milionário empresário rural do Paraguai, Miguel Zelaya, declarou ao jornal argentino Clarín, em sua edição desta sexta-feira (10) que o ex-general golpista Lino Oviedo está em uma de suas fazendas no território paraguaio.
Ao mesmo tempo, em declaração à Rádio Uno, de Assunção, o advogado de Oviedo, Max Narváez, confirmou que ele havia retornado ao país e aguardava "o momento adequado" para apresentar-se à Justiça.
Oviedo - líder de um fracassado golpe militar em 1996 e acusado do assassinato do vice-presidente paraguaio, Luis María Argaña, em março - desapareceu da Argentina, onde estava asilado havia quase nove meses, na quarta-feira. Sentenciado a 10 anos de prisão pela rebelião militar, ele deve ser preso assim que for localizado.
A tese de que o ex-militar retornou ao Paraguai foi reforçada pela mulher de Oviedo, que deixou na quinta-feira a Terra do Fogo - onde a família estava confinada - para a Província de Corrientes, perto da fronteira paraguaia. "Se ele (Oviedo) já não está na Argentina, é para agradecer ao povo deste país e ao doutor Carlos Menem por ter concedido asilo a ele", declarou a mulher do ex-militar, a argentina Raquel Marín. "Ele se retirou para que Menem não tivesse de passar ao seu sucessor o peso de Lino Oviedo."
Na verdade, membros designados do novo governo de Fernando de la Rúa já tinham antecipado que revisariam a concessão feita por Menem ao seu amigo particular Lino Oviedo. Pelas declarações dos assessores do novo presidente argentino, o ex-militar não ficaria no país. Ele seria extraditado para o Paraguai ou partiria para o exílio em outro país.
A suspeita de que Menem tenha facilitado a fuga de Oviedo causou um considerável mal-estar político em meio às cerimônias de transmissão de poder. O presidente paraguaio, Luis González Macchi, que foi a Buenos Aires para a posse de De la Rúa, não compareceu ao jantar de despedida oferecido ontem à noite por Menem. Ao ser indagado sobre onde poderia estar Oviedo, González Macchi respondeu secamente: "Pergunte a Menem."
O novo vice-presidente argentino, Carlos Chacho Alvarez, acusou o governo Menem de ter sido "negligente ou cúmplice" com a fuga de Oviedo. Na véspera, ao anunciar o desaparecimento do ex-militar, o ministro do Interior de Menem, Carlos Corach, esclareceu que a custódia que acompanhava Oviedo se destinava a dar proteção a ele, e não a vigiar seus passos, uma vez que tinha livre trânsito na condição de asilado.
Apesar das indicações de que Oviedo esteja em território paraguaio, o governo do país recusa-se até mesmo a admitir a possibilidade de que ele tivesse burlado os controles de fronteira do país. "Oviedo é um homem capaz de atirar-se de pára-quedas e não se lembrar de abri-lo, mas é certo que ele não ingressou no Paraguai", afirmou o ministro do Interior, Walter Bower.
O ministro da Defesa, Nelson Argaña, filho do vice-presidente assassinado, também foi categórico: "Estamos seguros de que esse covarde não voltou ao país." Argaña, porém, confirmou que o Exército e a polícia do Paraguai estão aquartelados preventivamente "como se Oviedo estivesse por aqui".





