Oviedo diz sofrer perseguição política
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quarta-feira, 26 de junho de 2002
Alexandre Palmar<BR>Equipe da Folha 
Foz do Iguaçu - O general Lino César Oviedo vai recorrer a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, da Organização dos Estados Americanos (OEA), para tentar recuperar seus direitos políticos no Paraguai. A medida, anunciada ontem em Foz do Iguaçu, visa abrir caminhos para sua participação nas eleições presidenciais em maio de 2003.
Lino Oviedo é uma das principais lideranças políticas do país vizinho. Atualmente, realiza reuniões com seus seguidores em Foz e outras cidades do Oeste. Apesar de contar com apoio do povo paraguaio e de liderar pesquisas de opinião, não retorna ao país vizinho para não ser preso.
O principal entrave para seu retorno é um mandado de prisão para execução da sentença de 10 anos de prisão por tentativa frustrada de golpe em 1996. Ele é acusado ainda de ser o mentor do assassinato do vice-presidente Luis Maria Argaña, morto em 1999, e de ter responsabilidade indireta na morte de sete manifestantes, em Assunção.
A base da sua defesa será a posição do Supremo Tribunal Federal (STF), que negou pedido do governo paraguaio para extradição de Oviedo, em dezembro do ano passado. A Suprema Corte do Brasil, o país mais importante da América Latina, considerou, de forma unânime, que não existem provas contra mim, afirmou.
Em sua opinião, a posição do STF ajudará a convencer os organismos internacionais que ele está sofrendo perseguição política. Esses argumentos servem para mim como contra respaldo jurídico, opinou, frisando que o pedido deve ser feito na próxima semana, em Brasília.
O general também quer entrar com um recurso na Justiça do Paraguai, embora tenha ressalvas da sua imparcialidade. Segundo ele, o Banco Mundial classificou recentemente a Justiça do Paraguai como corrupta e politizada. Se ela quiser se reabilitar, vai conceder meus direitos, assim como concedeu a justiça independente, séria e capaz do Brasil.
O pronunciamento de ontem foi motivado pelas suspeitas de narcotráfico levantadas pela Polícia Federal. Ele voltou a negar o envolvimento. A PF identificou as palavras Lino e general em telefonemas grampeados de presos cariocas com traficantes paraguaios. A única coisa que não disseram contra mim é que sou sócio de Osama Bin Laden.


