Oviedo desaparece e pode ter retornado ao Paraguai
Buenos Aires, 09 (AE-ANSA) - O general golpista paraguaio Lino Oviedo, asilado na Argentina há quase nove meses, está desaparecido desde hoje (09), informou o ministro do Interior argentino, Carlos Corach.
Partidários de Oviedo no Uruguai informaram que ele voltou clandestinamente ao Paraguai, mas o governo do país desmentiu categoricamente tal versão.
"Dentro do que se considera humanamente possível, não há nenhuma possibilidade de que Oviedo ingresse clandestinamente em território paraguaio; e, se entrasse, seria preso imediatamente", disse o ministro do Interior do Paraguai, Walter Bower. "Estamos 99% seguros de que ele não está no país."
As Forças Armadas do país, contudo, declararam-se em alerta e convocaram todo o seu pessoal para um aquartelamento destinado a evitar "ameaças à ordem constitucional", segundo a nota de convocação.
Partidários de Oviedo no Uruguai garantiram que o ex-general viajou de avião na madrugada de hoje de Buenos Aires para Ciudad del Este - na tríplice fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina -, de onde partiu para algum lugar do departamento paraguaio de San Pedro.
Um correspondente do Canal 13 de televisão em San Pedro levantou outra hipótese. Ele disse que Oviedo tem muitos partidários na região, "gente que tem grandes fazendas de gado, com pistas (de pouso) até diríamos clandestinas".
O repórter acrescentou que "ele poderia ter aterrissado por alí e não vai sair. Será muito difícil para a polícia encontrá-lo".
As versões sobre os planos do golpista são contraditórias. Segundo alguns partidários, ele pretende entregar-se à Justiça paraguaia nos próximos dias. Outros, no entanto, asseguram que Oviedo voltou ao Paraguai por entender que "o país precisava da presença dele".
Rumores de que um plano de golpe de Estado estava em marcha no Paraguai causaram, nos últimos dias, a destituição de vários oficiais de baixa patente, supostamente vinculados a Oviedo. O jornal paraguaio Últimas Noticias chegou a detalhar o plano: o presidente paraguaio, Luiz Gonzáles Macchi, seria preso no aeroporto de Assunção ao retornar da viagem oficial que fez a Cuba e Costa Rica; grupos oviedistas tomariam os prédios do Congresso e das principais instituições do governo, enquanto uma junta assumiria o poder e convocaria eleições para o menor prazo possível.
Os boatos sobre o retorno de Oviedo ao Paraguai mais uma vez coincidem com a ausência de Macchi do país. O presidente paraguaio está justamente na Argentina para assistir à cerimônia de posse de Fernando de la Rúa.
Como primeira consequência da saída de Oviedo da Argentina está a perda automática do direito ao asilo político, concedido em março pelo governo de Carlos Menem, amigo particular do general. Ao mesmo tempo, um juiz paraguaio, Jorge Bogarín, emitiu hoje uma ordem de prisão internacional contra o militar golpista.
Corach afirmou que Oviedo sumiu depois de enganar agentes argentinos designados para custodiá-lo. O ministro, que deixa o cargo amanhã, esclareceu que a custódia destinava-se a garantir a segurança de Oviedo e não a vigiar os passos dele.
A situação do golpista na Argentina começou a complicar-se após a eleição de De la Rúa. Membros do governo que assume o poder na Argentina amanhã haviam declarado que o asilo concedido a Oviedo seria revisto.
O general chegou à Argentina em março, em meio à crise política aberta com o assassinato do vice-presidente Luis María Argaña, inimigo de Oviedo. Acusado de ter planejado o crime, o general fugiu do Paraguai horas antes da renúncia de seu afilhado político, Raúl Cubas, que se exilou no Brasil.
Líder de uma frustrada tentativa de golpe em 1996, Oviedo foi sentenciado - num processo recheado de vícios jurídicos - a 10 anos de prisão por um tribunal militar.
Os presidentes Fernando Henrique Cardoso e De la Rúa preferem que Oviedo se asile em algum país que não faça fronteira com o Mercosul. "É óbvio que se Oviedo fosse para longe do Paraguai, seria mais confortável para os países vizinhos", disse o embaixador do Brasil na Argentina, Sebastião do Rego Barros, ao informar que este foi um dos temas da conversa entre os dois presidentes, na noite de quarta- feira. (colaborou Tânia Monteiro de Buenos Aires)





