Overtraining: além do limite
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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
Sinônimo de bem-estar, a prática de atividade física pode trazer consequências graves quando realizada em excesso. A falta de repouso adequado entre os treinos e o desequilíbrio na quantidade e intensidade podem fazer o atleta entrar em overtraining, estado que desencadeia uma forte fadiga além de diversos males ao organismo.
Pesquisas realizadas pelo Centro de Estudos em Psicobiologia e Exercício (Cepe) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) apontam que 28% da população brasileira sofre do mal, que é mais comum entre os que se tornam ''viciados'' em atividade física.
De acordo com o ortopedista do Hospital São Luiz de São Paulo, Moises Cohen, o risco que este excesso pode representar para o organismo vai muito além das mudanças corporais e metabólicas, podendo levar à morte. ''O primeiro passo é reduzir as atividades, adequando-as as particularidades e limites de cada indivíduo'', diz.
Os primeiros sintomas do overtraining vão desde alterações no desempenho, perda do estímulo nos treinos e competições, sensação de fraqueza durante e após a prática dos exercícios, redução da coordenação motora, até o aumento da incidência de lesões, redução de peso e aumento do risco de infecções. ''Ainda podem ocorrer alterações no padrão normal do sono, aumento da frequência cardíaca e consequentemente, do lactato sanguíneo, levando à fadiga'', explica o médico.
Empresário e atleta, o londrinense Rafael Carraro Ribeiro, 25 anos, demorou para perceber que estava excedendo seus limites. Apaixonado por ciclismo desde criança, Ribeiro se tornou triatleta aos 21 e em três anos já disputava seu primeiro Ironman, uma das provas de triathlon mais difícil do mundo onde o atleta nada 3 mil metros, pedala 180 km e corre outros 42 de uma só vez. ''Começou a ficar insuportável treinar. Não conseguia mais entrar na piscina pra nadar e qualquer coisa que eu fazia não sentia rendimento algum'', lembra.
Depois de dois Iron e dezenas de outras provas mais curtas, o ritmo de treino de Ribeiro se manteve pesado e contava com pelo menos duas das modalidades - ciclismo, corrida e natação - por dia. Apesar de seguir uma dieta rigorosa - eram cerca de R$ 1 mil por mês gastos com suplementos alimentares - ele chegou ao ponto de não sentir força nem coragem de sair para treinar. Além disso, sua imunidade caiu e ele chegou a desenvolver uma pneumonia. ''Chega em um ponto que você não rende mais, mas até você cair nessa realidade demora porque é difícil pra um atleta assumir que está sentindo isso'', confessa.
Hoje, depois de quatro meses sem entrar numa academia, Ribeiro continua correndo e pedalando apenas para manter o condicionamento físico. Sem pretensão de disputar provas pesadas, ele busca treinar em lugares arborizados onde pode se sentir relaxado e despreocupado com metas. ''Sei o quanto é importante praticar a atividade física por prazer. Quando o treino vira obrigação você se sente mal, até deprimido, além de fazer mal à saúde.''


