Overdose depende de vários fatores
Londrina - Depois do caso da menina de apenas 13 anos que morreu por suposta overdose após ingerir cocaína em um motel de Londrina com outras cinco pessoas, o perigo do uso de entorpecentes voltou à tona. Se a causa da morte for confirmada pelo Instituto Médico Legal (IML), será o primeiro óbito este ano em decorrência do abuso de drogas na cidade. O primeiro, entretanto, oficial, já que a inexistência de um órgão que centralize dados de intoxicação e óbitos em decorrência de overdose reflete na falta de dados concretos.
Além disso, muitos casos de overdose acabam não gerando protocolo, já que apenas o resultado dela vai constar no laudo - como um ataque cardíaco ou lesão cerebral - gerando uma subnotificação do número total ainda maior. Vale lembrar também que entre os casos de intoxicação por drogas de abuso estão contabilizados ingestão acidental de produtos químicos, bem como alta dosagem de medicamentos.
Dados do Sistema Nacional de Informações Tóxico-farmacológicos (Sinitox) informam que 14,4% dos casos de intoxicação no Paraná em 2008 aconteceram na faixa de 10 a 19 anos. O alto índice retrate, talvez, a imaturidade com a ideia de ser inatingível nesta fase.
Diferentemente do que alguns acreditam, não é necessário uma grande quantidade para que a pessoa venha a ter uma reação e morrer. ''A intoxicação ou overdose depende de vários fatores, como características da pessoa e metabolismo, a dose e, principalmente, do tipo de droga e associação. Nem sempre a reação em um indivíduo será a mesma em outro'', afirma a psiquiatra Sandra Vargas Nunes, do Departamento de Clínica Médica da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Mas, mesmo que algumas substâncias, a princípio, não causem intoxicação, acarretam em vários problemas irreversíveis. Segunda a psiquiatra, tabaco, álcool, maconha, cocaína, inalantes, sedativos hipnóticos, opioides e alucinógenos são classificados pelo Organização Mundial de Saúde (OMS) como susbtâncias que causam dependência física e psicológica. ''Estudos mostram que três destas susbtâncias causam demência e deficit de memória. Entre elas, estão os inalantes, principais responsáveis por lesões cerebrais'', alerta. (M.T.)





